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Saturday, March 15, 2014

Balzac dixit: mulheres sublimes.


"Os erros da mulher provêm, quase sempre, da sua crença                       no bem ou da confiança na verdade".

Defendia o grande autor que uma rapariga bem educada, séria, de valores e princípios firmes, tende a ver no ser amado - por vezes com tristes resultados - um reflexo da sua própria pureza de sentimentos. Não serão só as mulheres, já que é sabido que as pessoas como são, assim julgam.

 Diz o povo que "quem é desconfiado, não é fiel" - muitas vezes, quem desconfia muito dos outros não baixa a guarda porque sabe muito bem as artimanhas que é capaz de urdir, logo acautela-se, faz-se vigilante,  julgando que será alvo de golpes dessa natureza. 
 Com as mulheres que - por mais perspicazes que sejam - se regem pela honestidade, pela nobreza de espírito, dá-se a mesma coisa, mas no sentido inverso. Quem não faz o mal, não vê o mal.

Uma rapariga delicada que ame e seja amada de volta, verá o objecto da sua paixão com a luz mais pura, mais favorecedora. As palavras, actos e intenções do homem que escolheu vão parecer-lhe, até dura prova do contrário, os mais elevados, tingidos de princípios admiráveis; os laços que os unem afiguram-se-lhe inquebráveis como aço, porque assim foi dito e prometido, por mais que os antigos avisem que "os Deuses lá em cima se riem dos juramentos dos amantes".

 Se a mulher for realmente excepcional, ou excepcionalmente pouco amiga de si mesma mas muito leal às promessas que fez, à palavra que deu, continuará a honrar essa lealdade mesmo depois de confrontada com uma realidade feia. Talvez procure dar uma, duas, três oportunidades para remediar o mal feito, porque como conhece a sua própria bondade, a sua própria sinceridade é-lhe muito difícil deixar de a ver no outro, desmanchar a imagem perfeita que foi construída com base em sentimentos exaltados, em belas palavras, em instantes romanescos que se não carecem de transparência, podem carecer de firmeza ou de sorte. 

E essas mulheres sublimes amam, choram, afastam-se, protestam, avisam, guardam silêncio, passam uma imagem de grande dignidade mas às vezes continuam a acreditar que houve um motivo justo para o seu erro, que o seu erro não foi em vão ou que pode ser reparado, por pouco conserto que tenha. São fascinantes, as mulheres dos romances. E na vida real, as mulheres que parecem saídas de um livro podem parecer ainda mais cativantes a quem gosta de heroínas sofredoras, cheias de heroísmos, de fé e de paciência. São aquelas criaturas belas e frágeis, mas cheias de força e de carácter, a quem um homem arrependido diz apaixonadamente, de olhos em alvo "perdoa-me! tu não mereces o que te fiz sofrer!" - e a quem juram o seu remorso, a sua asneira, a sua infelicidade, a sua obsessão, a sua admiração. Que foi por ciúmes, que foi por imbecilidade, por cobardia, por imaturidade, por razões inexplicáveis. E contam que a heroína seja sublime a ponto de ser santa.

 Arquétipo por arquétipo, já não vos digo nada: sem defender aqui a femme fatale (que às vezes também passa maus bocados na literatura e na vida) acho que essas acabam por se iludir menos, vingar o seu género e viver melhor. Mas quê - ser uma bad girl não está ao alcance de todas. 

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