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Thursday, March 6, 2014

Não queria ter visto este filme. De todo.




Estava eu a tentar descansar no hotel após um dia a correr todas as capelinhas, quando tenho a *brilhante* ideia de ligar a televisão, a ver o que aparecia. E eis que começou este filme (imagem de cima) sobre este caso medonho (imagem de baixo) que fez correr rios de tinta nos Estados Unidos mas que eu desconhecia completamente.

 Resultado: não consegui parar de ver e depois fiquei tão indisposta que não dormi nada que se aproveitasse. 

 A história impressionou-me não só pela brutalidade do homicídio (porque é uma daquelas que acabam da pior maneira) mas pela relação totalmente disfuncional entre os protagonistas - prova provada de que qualquer um está sujeito a tropeçar num doido (ou neste caso concreto, numa louca varrida) mas também de que são precisos dois para dançar o tango.
 Long story short, Jodi Arias arrisca a pena de morte no Arizona por assassinar o ex namorado, Travis Alexander, com quase 30 facadas e um tiro, degolando-o a seguir - isto enquanto fotografava tudo. Limito-me a colocar aqui o último instantâneo do rapazinho, porque as imagens da cena do crime são mesmo chocantes.

Jodi e Travis mantiveram uma relação semi oficial - e acrescente-se, sobretudo física- durante cinco meses. Importa acrescentar que os dois se conheceram em Las Vegas numa conferência de um qualquer esquema de pirâmide, onde Travis era orador motivacional. Esquemas "enriqueça rápido" e seitas que tais são arrepiantes para começo de conversa, mas adiante. 

 A mocinha - carente, atiradiça, uma autêntica mulher da luta - tratou de tomar todas as iniciativas e mais algumas, fazendo aquilo que certas raparigas fazem quando estão desesperadas por alguém; quase sempre alguém que não está lá muito interessado nelas: era ela que telefonava, que guiava centenas de quilómetros para lhe suplicar uns minutos de atenção, que se auto intitulava "namorada" enquanto ele a escondia de toda a gente, que tentou mudar-se lá para casa, que não dava espaço nem respeitava o espaço dos outros, o costume.

Quanto a ele, mórmon convicto, usava Jodi, a-rapariga-que-estava-a-jeito, para fazer tudo o que um fariseu de gravata não deve fazer enquanto namoriscava as raparigas da igreja. Vendo isso, ela continuou a rebaixar-se e a anular-se completamente para agradar (ou marcar território): chegou a converter-se, seguia-o para toda a parte como um cãozinho fiel. O comportamento invasivo de Jodi não passou despercebido aos amigos dele e após uma cena de ciúmes da parte dela, foi cada um para seu lado.
 A rapariga, do tipo que não aceita um não como resposta e não percebe que mais vale ser desejada do que aborrecida, pensou então noutro plano: mudou-se para a cidade onde ele vivia (sinal de alarme) e tentava tudo para se cruzar com ele. Vendo-se rejeitada, entrou num frenesi de rasgar pneus, deixar ameaças, hackear a conta de e-mail dele, enfiar-se pela gateira para se esconder debaixo da árvore de Natal (facto) e tentar seduzi-lo a cada oportunidade.

 Qualquer pessoa sensata ficaria intimidada, mas Travis, que nunca se queria zangar com ninguém, que se achava um grande conquistador apesar de ser mórmon e que gostava da massagem ao ego da assustadora rapariga-tapete, deixou andar. Não a procurava, mas ia apreciando as atenções e enrolando. Os próprios amigos lhe diziam que ela frágil e que lá à sua maneira gostava mesmo dele; avisaram-no para não brincar com os sentimentos dela, não só porque isso era feio mas porque a jovem tinha um olhar que metia medo. Avisaram-na também a ela, recomendando-lhe que tivesse um bocadinho de dignidade. Nenhum deles quis ouvir.


 Finalmente, Travis aceitou - nota bene, aceitou - que ela, como estava sem emprego, passasse a limpar-lhe a casa: de namorada não oficial a criada/amiga colorida. 

Jodi adoptou então o pior comportamento que uma mulher pode ter: o amiguchismo. Sabem, quando uma ex namorada (o) finge que fica amiga (ou amiga com benefícios) do (a) ex , sem compromisso, na dolorosa e patética tentativa de o (a) reconquistar. Poucas coisas são mais tristes, mais desonestas de parte a parte ou conduzem tanto a cenas desagradáveis. Ela queria casar com ele, ele queria manter o caso em segredo e que ela se contentasse com a "amizade" que tinham combinado, enquanto ele assumia outras relações. Claro que ela se contentava tanto com amizade como ser freira.

. E num dia em que Jodi mostrou as suas verdadeiras intenções, que não queria ser amiga dele coisíssima nenhuma, foi tarde demais para recuar e o pobre teve um fim que ninguém merece. 

Sem - felizmente - chegar a tais extremos, vejo tantos casos de contornos parecidos, tanta gente a relacionar-se (ou a tentar relacionar-se) em moldes assim, que não sei se diga que o mundo está cheio de malucos, ou cheio de gente que engole muitos sapos e muito Valium. 

Com dignidade,  honestidade e o bom e velho decoro evitavam-se muitos dissabores, acho eu. Isso e fugir assim que uma pessoa dá mostras de precisar de...bom, tomar as gotas.







2 comments:

Isa said...

(off topic) que top o cabeçalho do blog. muitos parabéns!

Sandra said...

Muito bom Sissi. Como sempre. Mas sabes uma mulher quando se apaixona é assim muito burrinha. E uma coisa que tenho reparado por experiência própria e que quanto mais velha mais difícil é apaixonar-se ou sentir atracção por um homem. E eu acho que é precisamente por essa dificuldade que acontece desde muito cedo, quando uma mulher se apaixona pode dar aso a situações como as de cima (se excluirmos o crime que felizmente não é assim tão comum). Uma mulher tem de aprender a por os sentimentos de lado e a valorizar-se, sempre. Meu conselho.

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