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Thursday, March 27, 2014

Kizomba? Estão a fazer pouco de mim, está visto.


Sabem aqueles momentos em que sentem que o Mundo está contra vocês e mortinho por vos apanhar?
 Bom, foi o que senti de manhã ao receber esta granada na minha caixa de email, enviada por um desses sites de "experiências" com desconto que obviamente não fazem segmentação de espécie nenhuma. Mandar-me isto, a mim? Ainda dizem que os nossos gostos e preferências são vendidos a bases de dados de comportamento do consumidor-tretas.

Então vamos lá ver: o número de almas neste país que se dedica às kizombadas -  geralmente ataviadas com o aparato aqui descrito (vulgo nail art de meio metro com brilhinhos, leggings de lycra, tops de spandex baratinhos, bandage dresses do chinês a mostrar derrièrres XXL, coxas grossas e piercings em barrigas rechonchudinhas, gel no cabelo ou espuma efeito molhado em madeixas ranhosas ou pintadas de preto graxa no Salão Tilita Glamour, nails e extensões do subúrbio social, rabos de cavalo à ghetto a "disfarçar" o cabelo oleoso e outros tiques de gente muito respeitável que se dedica a dar sopapos em bêbedos,  puxar ferros em ginásios duvidosos, partilhar retratos estilo anúncio do Correio da Manhã e receber centenas de likes de trogloditas que gostam de ver mulheres rubicundas em trapos de poliéster reduzidos,  ir para a bailação enquanto deixa "a menina" com os avós porque o companheiro/pai da criança deu à sola e foi para França onde se envolveu com uma alternadeira de Terras de Vera Cruz para não mais ser visto e disputar os amplexos "gostosos" (blheeeeeeeec, morri) da Silvana, da Suzi, do Rúben ou do Carlão lá no ginásio num enredo de Dirty Dancing barato, e olhem que os bailarinos do mítico filme já eram gente reles que chegasse...por alguma razão o pai da Baby não a queria tão mal acompanhada) é tal que justifica um FESTIVAL DE KIZOMBA. 

De resto, e porque não quero ofender as honradas pessoas africanas que por aqui passam,  recordo que a maior parte dos angolanos que conheço, que são alguns e tudo gente de família que se recomende, juram aos pés juntos que a kizomba verdadeira não tem nada a ver com a pornochanchada que se convencionou por cá -  desculpa para habitués de "estúdios de dança" e danceterias de beira de estrada partilharem entusiasticamente os eflúvios das suas fatiotas sintéticas e para se agarrarem  (para não usar um verbo mais expressivo, que isto a baixaria não pode ser contagiosa) uns aos outros freneticamente, divulgando depois o enlevo nas redes sociais com legendas poéticas como "a dança fala mais alto...salsa e pimenta e merengue". BLHEC!

Depois de ir buscar um saquito de papel a ver se parava de hiperventilar com a afronta (uma coisa é inventarem festas da selva desse calibre e irem desconchavar o pobre do Campo Pequeno, outra é terem a lata de o anunciar no email de gente sossegada) e de fazer todos os exercícios de meditação que me lembrei a  ver se realinhava os meus ultrajados chakras...acho que chegou o momento de arrumar as malas e retirar-me para um sítio onde não seja incomodada. É melhor que um Bom Samaritano me empreste um bunker depressa porque o trash está por todo o lado; daqui a nada kizombam até minha casa e eu, que nunca tive medo de nada, acho que não tenho poder de encaixe (nem munições de ovos e tomates podres suficientes) para fazer frente a isto. Se tudo correr sem baixas, passarei a escrever-vos bem calafetada, até que a ameaça passe. Estais prevenidos e esclarecidos, pois eu não quero que andem para aí a dizer "a Sissi ensandeceu e fechou-se num abrigo anti atómico sem motivo aparente".

4 comments:

Sandra said...

hahhahahahha :D

A Bomboca Mais Gostosa said...

LOL Medo, festival de Kizomba também era coisa para me deixar a hiperventilar. E o pior é que a maior parte da música que passa, não é de facto Kizomba. E é ver a gente normalmente mais foleira a enlouquecer com tais melodias.

Inês Maria Rocha Gonçalves Moura de Sousa said...

E convites para aulas de zumba? Se ainda não recebeu é melhor preparar-se. Just in case :-)
Eu tenho colegas de trabalho entusiastas tanto do kizomba como da zumba e já fui convidada a acompanh-las (sim vieram mesmo convidar-me não foi publicidade), recusei com o ar mais neutro que consegui colocar (porque até senti calafrios a imaginar o cenário) e assunto arrumado.

Imperatriz Sissi said...

Meninas, é um odiozinho de estimação, uma coisa pessoal mesmo, que me faz encarquilhar o sangue e ter enjooos. Ainda bem que alguém me entende!

@Inês, tal convite só há-de surgir assim por acidente, como este. Também conheço pessoas decentes que se andam a deixar seduzir por essas coisas do demo, mas nenhuma corajosa o suficiente para arriscar uma proposta dessas. O amor à pele tem muita força!

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