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Friday, March 14, 2014

Ser "bom" não basta.


Ontem deparei-me com este filme que passou bastante despercebido quando saiu há uns anos e que decidi ver com atenção porque, bem...

1- Tenho uma fixação pela época/tema; não acredito lá muito em reencarnação, mas a crer nisso fui alguma agente dupla noutra vida, com certeza;
2- Gosto do Jason Isaacs, que é insuportavelmente bem parecido e quase sempre faz de mau (este filme é uma excepção, por acaso) e...enfim,  manias minhas.
 3-  Ver o Viggo Mortensen em uniforme das SS pareceu-me boa ideia (os sacanas dos nazis eram o diabo na Terra, mas tinham um talento formidável para mandar fazer fardas e trench coats:  reparem na qualidade do sobretudo em pele de Albert Speer, o "Nazi que pediu desculpa"  vendido em leilão recentemente. Ironia das ironias, quem o comprou foi um primo do arquitecto nazi que é...judeu).




Mas divago, voltemos ao filme: a fotografia recomenda-se, tal como a história (adaptada de uma peça de teatro dos anos 80) sendo o clássico conto do homem bom que permite, mais ou menos inconscientemente, insensivelmente, sem saber como, que o mal aconteça à sua volta.

 Viggo interpreta John Halder, um professor de literatura/escritor, veterano da I Guerra do mais discreto que há. Modesto, sossegado, bom pai de família, marido com paciência de santo para uma esposa bem intencionada mas fora da realidade, filho extremoso para a mãe demente e cheia de problemas de saúde, amigo fiel do  brilhante  psiquiatra judeu Maurice, seu irmão de armas.   Como muitos homens bons e talentosos que não fazem alarde de si mesmos nem se envolvem em intrigas palacianas, John tem uma vida obscura. 

Porém, a sua carreira dá uma reviravolta quando se vê coagido pelos a não adiar mais a sua filiação no Partido Nazi (como tanta gente "normal" fez naquele tempo) e quando os figurões do Reich  se interessam por um romance que está a escrever, decidindo usar as suas ideias em propaganda. A gota de água é uma aluna atiradiça que o convence a  sair de casa - e que se vem a provar um ser humano horrível, como seria de esperar. 
O professor é bom mas também é fraco, com um carácter cheio de deixar-se ir. Acaba por vender - ainda que a contra gosto - a alma ao Diabo; a sua integridade natural pouco pode contra a força das circunstâncias em que se envolveu.
  Sem sucumbir propriamente à vaidade, sem se corromper por dentro,  ele vai tomando más decisões, achando que as coisas não são tão feias como parecem, fechando os olhos a actos, ideias e acontecimentos que vão contra os seus valores. 
E acaba esmagado pelas suas más escolhas, porque há coisas - moral, afectos, respeito próprio - que nem o êxito, nem a adulação, nem o poder podem compensar. 
 Ser bom é importante. Ser íntegro é essencial. Ser uma pessoa decente é uma obrigação - mas não basta. É preciso vigilância e auto exigência porque uma escorregadela, uma cedência, pode ser o suficiente. E às vezes as consequências são irreparáveis.

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