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Friday, March 7, 2014

Visto hoje: das peneiras, e da desconfiança cega



As peneiras literais estão num desuso cada vez maior; poucos lares ainda as utilizam. 

Já as de sentido figurado cada um tem as suas: há as péssimas (a afectação, o deslumbramento de quem está habituado a servir e mal dá um passo em frente trata de pisar quem o serve, ou o encher-se de vento por coisa nenhuma são exemplos de más peneiras) e as boas ( por vezes é benéfico ser-se demasiado peneirento para fazer certas coisas menos edificantes).

 Porém, ter uma peneira à frente dos olhos - que não tapa a luz, mas confunde a vista - é muito mau, porque impede as pessoas de ver a verdade diante do seu nariz.

 Há quem seja inseguro e desconfiado por natureza: desconfia da sombra, das pessoas que ama, do seu próprio julgamento. Se lhe dizem preto acreditam que é mas é branco, porque lhes parece demasiado bom para ser verdade segundo o medo, a escuridão, o ciúme ou o complexo de inferioridade que lhes vai na alma. Vêem perfídia e maroteira nas intenções mais honestas. 

Por muito que queiram agir bem, a peneira baralha tudo.

E como se não bastasse, ainda tratam de sujar a peneira contando aqui, ouvindo dali, recolhendo informações (quase sempre tendenciosas, mal intencionadas ou no mínimo, de quem está de fora e portanto, não sabe metade da missa) para confirmar os seus próprios receios, ter ombro para chorar, receber palmadinhas nas costas. 

Pessoas com uma peneira à frente não vêem pelos próprios olhos, não pensam pela sua cabeça, ouvem mais os mexericos dos infelizes e desocupados do que a própria consciência, o próprio instinto ou as palavras de quem lhes quer bem.

E depois queixam-se, como não podia deixar de ser.





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