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Sunday, April 13, 2014

Dica muito útil para arrumar as pessoas na nossa vida. Ou para fora dela.




Sabem a expressão um bocadinho snob, mas verdadeira, que reza "‘if you have to ask the price, you can’t afford it" ?

 Não quer dizer que seja sempre assim - às vezes, mesmo entre produtos de marcas muito exclusivas, há discrepâncias de preços - mas em geral, se alguém precisa de perguntar quanto custa é porque tem, no mínimo, um orçamento controlado. Ou está à procura de um bom negócio, vá.
 Em casa sempre me martelaram que é vulgaridade falar de dinheiro e agora já é tarde para mudar isso, mas a citação serve-nos aqui de alegoria para ilustrar algo menos tangível.

Por vezes acontece uma pessoa afeiçoar-se a outra que tem, bom...ideias um bocadinho distantes das suas. Os opostos podem atrair-se e frequentemente as diferenças são positivas: há diferenças que enriquecem, que complementam. 

 A exemplo, eu só gosto da gema do ovo e calha ter vários amigos que só gostam da clara. Essa é uma diferença que dá jeito, que indica compatibilidade: eu fico com a gema, o outro com a clara e não se estraga nenhum ovo. Combinação perfeita!

 Depois, há as diferenças amigo não empata amigo, que não fazem mal a ninguém: conheço inúmeros casais assim. Ela adora fazer compras e ele, coisa que não surpreende ninguém, abomina. Só de entrar num shopping lhe dão tremores. Por sua vez, ele é doido por carros de corridas e ela não suporta tal coisa. Quando uma quer ir ver as montras e o outro encher-se de adrenalina, cada um vai descansadinho à sua vida, ninguém impõe nada a ninguém e até se dá um espaço saudável, já que a diferença não representa uma ameaça. De igual modo, tenho várias amigas com um estilo distante do meu. Temos outros pontos em comum e desde que não façam/usem nada que me agrida ou que caia mal...aplica-se o bom e velho cada um na sua.

 Por fim, existem as diferenças-aresta: podem ser polidas ou limadas. De diamante em bruto todos temos um pouco, principalmente quando se trata de afectos.
 Vamos imaginar, uma rapariga toda elegante que se apaixona por um rapaz um bocadinho desleixado. Em tudo o resto ele é um amor; sendo um homem razoável, percebe que se calhar não é má ideia deixar a namorada ajudá-lo com o visual. O mesmo acontece com outras coisas que se podem aprender, como as maneiras à mesa. As boas amizades e os bons relacionamentos incitam-nos sempre a ser a melhor versão de nós próprios. Mas também nos obrigam a fazer cedências: conheço não poucas mulheres que, para agradar ao parceiro, começaram a educar-se sobre carros de corridas. E algumas até acabam por gostar.

  O problema são as diferenças profundas, irreconciliáveis, de fundo, que têm a ver com as crenças e valores intrínsecos de cada um. Quanto a essas, muito pouco pode ser feito. 

Vamos então à dica útil que nos trouxe aqui. 

Geralmente as diferenças irreconciliáveis, fracturantes, irremediáveis, que ditam o fim de uma relação que parecia fantástica manifestam-se logo no início, nas pequenas coisas. "‘If you have to ask the price, you can’t afford it". 

Nas relações, se uma coisa qualquer nos horroriza por ser errada, ou imoral, ou de mau gosto e o outro não vê mal nenhum nisso...aí o caso está mal parado. Se o outro  pergunta, muito espantado "mas que mal é que isso tem?", se é preciso explicar, discutir, perder tempo a enumerar e racionalizar porque é que uma coisa tão óbvia é inaceitável, feia ou errada, isso indica que os dois vêm de lugares muito diferentes, de perspectivas inteiramente díspares da vida. Se tem de perguntar isso, é porque nem vale a pena responder. Não ia perceber mesmo.
  
 Quando é o caso, mais vale não gastar latim, nem perder tempo a tentar converter o outro ao lado luminoso da Força. As pessoas que são como nós no essencial, que partilham os mesmos valores, compreendem. As que não compreendem, nem vale a pena inclui-las. É preferível poupar dissabores. Afinal, tempo é dinheiro.

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