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Saturday, April 19, 2014

É desta que eu fico milionária. E outro aviso, que quem avisa vossa amiga é.


1 - Por aqui já se têm abordado vários atestados de pinderiquice imediata que se devem evitar a todo o custo - camisolas de lycra, nail art tuning, bandage dresses baratinhos e minúsculos, eu sei lá - mas hoje lembrei-me de um particularmente perigoso, porque pode acontecer à senhora mais distinta (se ela estiver distraída e sair às pressas esquecendo-se de que prendeu o cabelo) ou vá, a uma rapariga que anda a tentar aprimorar a sua imagem com muita disciplina e melhores intenções (porque já se sabe, o diabo está nos detalhes).

 Trata-se uma de uma coisa muito feia de se ver que ainda vou encontrando na rua: cabelos apanhados com uma mola de cabeleireiro!
 Eu, que sofro das alegrias e tristezas de um cabelo sedoso mas por isso, escorregadio que se farta e rebelde a quase todos os clips no mercado, compreendo perfeitamente que poucas coisas mantêm as madeixas longe da cara pelo tempo que se quer e sem trabalho nenhum como uma mola de brushing


 É um facto. Mas lamento dizê-lo, a mola de brushing serve só para isso mesmo, para o brushing. Ou quando muito, para estar em casa a jardinar. Numa praia isoladíssima sem uma alma por perto...passa,desde que se vá rezando o responso para que ninguém veja. Usada em público...é para esquecer.
  Quando vejo alguém nesses preparos passa-me logo pela ideia a dona de um "salon" de unhas e cabelos num bairro social, ou uma de uma peixeira que não usa trajes típicos da Nazaré, ou de uma senhora da limpeza à beira de um ataque de nervos. 
 O melhor é uma pessoa resignar-se a aprender como fazer uns penteados daqueles que não se desmancham, ou recorrer a outra engenhoca, que actualmente não faltam alternativas...


2- Os americanos, sempre prontos a satirizar o seu white trash (que é como quem diz a populaça malcriada, parolinha e pelintra, que não é bem o mesmo que ser pobre nem falido) divertem-se a inventar Barbies "do ghetto" ou do parque de caravanas. Acho uma ideia engraçadíssima e alguma mente iluminada podia lembrar-se de criar umas versões portuguesas, para não dizer tuga, que é um termo detestável.  Estão a imaginar?
 Não havia de andar tão longe da versão made in USA, porque há coisas que são universais - uma ranchada de  filhos deste e daquele e tudo muito amigo a ir aos mesmos churrascos e ginásios,  palavrões, gritaria e tapona,  roupinhas reles e quanto mas reduzidas melhor - mas valeria a pena realçar algumas particularidades europeias e sobretudo portuguesas, que foram beber muita inspiração ao piorio que se faz no Brasil.



Juro que tentei um programa online para ilustrar a minha ideia, mas acreditem ou não, todas as roupas e penteados eram demasiado honestos, afinal são jogos didácticos para crianças e o fim do Mundo por ora ainda não chegou, por isso tenho de me ficar pela descrição.


O Ken: bom, o Ken teria de ser um bimbo de marca maior, o maior pintas do bairro, herói do ginásio, rei da associação desportiva e recreativa.

 Cabelinho à Cristiano com muito gel (o frasquinho de gel vinha incluído nos acessórios, junto com o cartão de sócio do Clube de futebol onde o filiaram ainda de fraldas) um brinquinho na orelha (amovível, para tirar nas entrevistas de emprego caso seja assim para o ganancioso...isto de impingir  batidos milagrosos é uma concorrência desgraçada, não há que facilitar!) calcinha branca de linho e t-shirt com decote em bico para o dia, com ténis de Deus-me-livre. Para arrasar na pista de dança, uns jeans com lavagem desbotada do mais feio que pode haver, com bolsos verticais que só cabem em calças chino e uma t-shirt igual à outra. Pode ser De Puta Madre, se assumirmos que o Ken é um bimbo sem complexos. Quanto ao casaco, tem de ser curto: a namorada não gosta que ele esconda as "abundâncias" conseguidas à custa de tanto puxar de ferro!
 Não esquecer os braços com mola propulsora, para atirar bofetões na companheira depois de uma noite de pândega. É de rigueur. Ah, brinquedo divertido.

A Barbie: cabelo preto-retinto, oleoso e escorrido (check) pele terrosa (check) e uma cara assim para o grosseirito. Unhacas bem grandes com desenhinhos (para arranhar o Ken quando o apanhasse em flagrante com a Vânia Carina da kizomba). Grandes argolas de fantasia. Para fazer esta boneca em condições tinha de se criar um molde com pernas rechonchudas e derrièrre XXL a condizer, tipo Kardashian pelintra,  porque isso é condição sine qua non para fazer sucesso nestes meios, vale?
 E como Barbie que se preza tem de ter duas mudas de roupa, a boneca seria vendida com um top de poliéster sem alças, umas leggings finas, molengonas e com enfeites + umas chinelas de enfiar no dedo para o dia (leia-se, para ir para a escola de estética ou ai-Jesus-que-me-dá-uma-coisa-má, para a faculdade) e um mini vestidinho de lycra Made in China pele de tigre + sandalocas de plástico com salto fino de stripper e muitos brilhantes + carteira de pele falsa para soltar a franga (por esta altura os disparates já me queimaram o raciocínio, desculpem) no studio de danças latinas e africanas. Classe!

E duvidam vocês que o brinquedo ia ser um sucesso tão grande, mas tão grande, que teria de se criar a linha completa incluindo boneca sogra, com a tupperware dos rissóis, as TV 7 Dias com parangonas da Casa dos Segredos e os CDs do Toni Carreira? Tudo lançado com pompa e circunstância no pic nic do tio Belmiro pela mão da Leopoldina e da Popota? Duvidam? Quando eu estiver milionária à custa de tão peregrina invenção, vamos ver quem se ri, vamos.




1 comment:

Inês Sousa said...

bem ainda não estarão tão por baixo, mas para lá caminham, encontrei estes quatro exemplares à venda http://singularidadesdeumagatamarela.blogspot.pt/2014/04/barbie-desceste-na-minha-consderacao.html

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