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Thursday, April 17, 2014

Reflexões brilhantes do dia: do patinar na maionese, e outras.



                                                  I 

Há as criaturas de Deus que não andam pela vida como toda a gente; conseguem mesmo superar a ideia muito zen, muito flower power de "seguir a corrente".
 Isso é pouco para elas. 
Essas almas andam permanentemente, como dizia a minha avozinha, "ao rever da água" (não me perguntem o que será "o rever" da água, mas sempre fez perfeito sentido) num eterno "logo se vê", "amanhã Deus dará". Não se pode contar muito com elas; aliás, nem elas contam consigo próprias. É preciso estar sempre de olho em quem tem por hábito nadar na maionese. Ou patinar na maionese, que é outra expressão para descrever essas pessoas que não sendo organizadas, não se inteirando, não cuidando dos seus interesses, dão trabalho por duas!
 Mas como as coisas podem sempre piorar, na minha demanda pessoal já me tenho cruzado com campeões da maionese, verdadeiros Michael Phelps da coisa: esses não andam, não patinam, não se limitam a nadar. Fazem mariposa na maionese. Com o maior sorriso vitorioso de patetas alegres medalhados.

                                             II

Sabem umas pessoas que eu adoro? Aquelas para quem madrugar, ou levantar-se a horas remotamente normais desde que não tenham a cabeça no cepo se não saltarem da cama, é o pior sacrifício que podem fazer; e ficam piursas, furiosas mesmo, se as chamarem à hora combinada mesmo que seja no seu melhor interesse.

 Não me entendam mal: gosto tanto de preguiçar como qualquer outra pessoa, especialmente se houver bons motivos...e também me sabe bem trocar as voltas ao relógio. Até acho que, assim o Céu me desse nozes para tal, não me levantaria com o nascer do sol a não ser que houvesse algo imperdível à minha espera.

 Mas coriscos, temos de ser racionais, porque o dia não estica. E se, imaginemos, para dar um passeio com termos é preciso ter o pequeno almoço tomado às nove e sair às dez, é assim e mais nada. Simples bom senso, para poupar correrias e aborrecimentos. Pois sim!

 Fazem birra, e não tinhas nada de me ter chamado porque com a preocupação de me levantar cedo não dormi (e eu com isso?) e a culpa é tua, que nem quando podes descansar acalmas, e eu " eu vou perder a calma é se continuarmos com esta criancice", logo eu que tanto gosto de tomar o pequeno almoço descansada, aproveitar as primeiras horas do dia e sair tranquilamente. Que penitência pelos meus pecados e pelos da Humanidade toda!

 Mas isto não é tudo: essas almas que fazem o que têm fazer e dormem o que têm a dormir independentemente do tempo disponível, ficam ainda mais danadas se lhes fazemos a vontade. Estilo, depois de as chamarem duas ou três vezes recebendo grunhidos em troca, desiste-se de lutar contra o inevitável e "deixa-te dormir p´raí que eu vou adiantando que é para não haver cenas".
 Aí, senhores, têm a chutzpah, que é como quem diz a LATA, de se levantar e resmungar " mas isto são horas? Porque é que ninguém me acordou?".  E haver rebuçados  de sabão para preguiçosos destes, não era boa ideia? Era pois!

                                                                       
                                             III

Esta semana reparei numa coisa interessante: sem qualquer tipo de combinação, partilho pontos de troça com os cronistas e bloggers que mais respeito. Andamos a fazer pouco dos mesmos pecados de sociedade, dos mesmos atentados ao gosto, das mesmas personagens de bradar aos Céus, enfim, de tudo o que não merece senão escárnio descarado, o que me faz sentir um bocadinho melhor com a minha mania de alfinetar as coisas escabrosas e pessoas que nunca haviam de ter nascido que andam para aí. 

Se quisermos pôr de parte as falsas modéstias, e eu não tenho paciência para falsas modéstias assim como assim, temos aqui um momento great minds think alike. Ou as pessoas de bom senso juntam-se. Mas acho que não é só isso: é um dever moral dar bengaladas em certas pessoas, em certas actividades, em certas modas. Eça tinha razão, como sempre. Mais do que isso, é uma obrigação de sanidade, de saúde pública, de higiene mental, de gosto, desancar dadas criaturas e coisas esquisitas. Se ninguém disser nada, se ninguém as colocar no devido lugar, temos a anarquia. Irra, temos a peste!






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