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Tuesday, May 20, 2014

A moral de uma história imoral.


Recentemente lembrei-me de procurar uma série anime que me ficou na memória  - Antologia da Literatura Japonesa - e por acaso tive sorte. É sempre agradável rever algo que nos marcou, mesmo que tenha deixado uma grande impressão de desconforto.

 É que vi isto na pré adolescência. A série passou no horário da manhã, por engano da RTP, apesar de  não ser de todo para crianças: de arrancar orelhas a cenas para adultos, tinha de tudo. Na altura havia um certo desconhecimento desse detalhe da cultura pop nipónica, em  que os "bonecos" podem ser as coisas mais bizarras.

   Mas vi, estava visto, e este episódio em particular (vídeo abaixo, se quiserem dar uma olhadela) deu-me muito que pensar sobre como os homens podem ser sacaninhas e as mulheres umas grandes patetas.
  Um pouco cedo para aprender tal facto da vida, mas antes por observação que por experiência, eu acho...


  Como o nome indica, a animação é baseada num célebre romance, Season of the Sun (livro que agora, na posse do título, vou procurar ler sem atirar para a lareira, de tal forma as personagens me irritam) que retrata a vidinha airada de um certo círculo de jovens japoneses após a II Guerra Mundial: festas, praia e jogos amorosos. Uma espécie de Gossip Girl à japonesa, ou Jersey Shore em versão vintage e mais polida.

 Ora, um destes rapazes conhece uma destas raparigas, na expectativa de se divertir um pouco. Ele é desmiolado e egoísta, ela desmiolada é, mas acabam por se apaixonar. A ele não lhe convém prender-se; e ela, apesar de ter outros namorados porque enfim, não é uma rapariga lá muito decente, não vê que o amante é má rês. Submete-se a todos os caprichos dele com uma adoração abjecta e ele, contrariado por gostar tanto dela, inventa tudo para a torturar - ao que ela replica fazendo-lhe ciúmes com fulano e beltrano.

 Como acontece quase sempre em romances tortuosos deste género em que o casalinho não sabe viver, a história acaba mal. A heroína morre e o protagonista desespera-se, não tanto por ficar sem ela ou por remorsos (penso eu) mas porque ir desta para melhor é um acto final de escape, de rebeldia ao seu domínio.

    Isto entristece-me porque hoje, com outro entendimento dos factos, conheço imensas histórias reais que são assim. Noutros cenários, com contornos se calhar mais discretos e mais normais (que digo eu? Ouvi algumas que ultrapassam as telenovelas... adiante) mas em que os protagonistas, adorando-se, não sabem o que fazer com isso. Parecem determinados em provocar sofrimento um ao outro. 
  Qualquer pessoa sabe que para uma relação funcionar, o amor não basta. Mas devia servir para alguma coisa...





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