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Friday, May 2, 2014

A nobre arte de ser...careta.


O cabeçalho deste blog diz tudo: é um salão old fashioned. Bota-de-elástico. Vintage, se preferirem. Sombrio mas bonito, apoiado por uma governanta velha como os montes de espanador em punho que me ajuda a limpar o pó e a arejar os reposteiros que se não tivermos cautela acabam comidos pela traça - paciência, toda a gente sabe que as traças são como eu, não gostam de poliéster, só de tecidos bons. 

   Na minha imaginação essa senhora, de touca na cabeça como nos desenhos animados, é sempre a Senhora Molelas, a housekeeper que havia em casa da avó (nesse tempo ainda não se chamavam nomes feios como técnica de superfícies ) uma velhota (na sua infinita sabedoria, a avó sempre me avisou que uma mulher de bom senso nunca contrata raparigas novas para o serviço doméstico) sem papas na língua que governava a casa com mão de ferro e mandava quem a aborrecesse ir dançar com um porco que tivesse as pernas coxas.

 Nunca conheci a Senhora Molelas, mas tenho um carinho especial por essa senhora beirã, tão espirituosa, que muito aturou...por isso, convidei-a a fazer parte disto. 

 E bem vistas as coisas, um blog careta também seria um belo título aqui para o Imperatriz. Não fiz benchmarking mas tenho cá uma desconfiança que há-de estar entre os blogs mais caretas e mais embirrentos do Reino de Portugal (eu mando neste espaço e para mim Portugal ainda é um reino, porque quanto mais não seja é muito mais bonito dizer  Reino de Portugal do que República Portuguesa... ).

Embirrento com orgulho, porque embirrar com boa disposição é preciso; se deixamos passar tudo, se somos complacentes com tudo, instala-se uma relaxaria total. Não há critérios, não há brio, não há exigência, não há beleza, moralidade, elevação nem atenção ao detalhe e não me canso de dizer que o diabo está nos detalhes

Sendo certo que um dos melhores conselhos que já recebi foi "se os outros quiserem andar com os pés no ar e as mãos no chão, deixá-los" e que uma certa dose de laissez faire laissez passer é determinante para a sanidade mental (tudo bem, desde que não andem de pés no ar e mãos no chão em minha casa ou a interferir nos meus assuntos: a única excepção foi  a minha prima que era uma macaquinha em pequena e tinha a mania que havia de ser artista de circo, logo andava de mãos no chão corredor fora...) como citei aqui, com a crise de valores que por aí vai mais vale ser conservador, preservar alguns valores e tentar passá-los de geração em geração. 

Foi assim que fui educada; e como o mínimo que se espera de uma pessoa de bem é deixar o Mundo um bocadinho melhor do que o encontrou, é assim que tenciono influenciar quem me diga respeito. Os outros, de facto, é deixá-los porque só aprende quem quer e só se porta bem quem está para isso, ou nasceu para isso...

  Cada um é como é: eu cá, Sissi de minha graça, sou um bocadinho careta, digo-o sem reservas. A época em que vivemos tem grandes comodidades: o acesso a imensas coisas, a informação e comércio online, os cuidados de saúde e beleza, a facilidade em viajar, certos direitos e liberdades individuais, a evolução científica, e assim por diante. Mas também é feita de muito artifício, de muita confusão, de muita misturada, de excessiva rapidez, de alguma má qualidade. 

Porque at the end of the day, qual é a vantagem de ser muito moderno, muito open minded?

 Não precisamos de gostar de tudo, experimentar tudo, aderir a tudo, ir com a multidão, pensar pela cabeça do populacho sem ver se isso nos convém.  Menos é mais, elegância é recusa. 

Procure-se uma certa exclusividade, própria de quem é mundano, mas de princípios firmes.

Posso gostar de ir ao Mc Donald´s, mas nada supera os pratos tradicionais. Pode ser divertido comprar uma peça passageira na Zara, mas a qualidade de uma roupa griffé e/ou provada à medida é insubstituível.  Até posso perceber que algumas mulheres se comportem de uma forma que vai contra a ordem biológica e social das coisas e que nos embaraça a todas, mas nunca acharei isso bem.
Posso e devo respeitar toda a gente, mas não sou obrigada a dar-me com toda a gente, a permitir confianças a pessoas que não partilham os meus valores só porque se convencionou que é feio não ser amiguinho de todos. Somos todos filhos de Deus, todos iguais perante a Lei com iguais direitos e deveres, um estranho é um amigo que ainda não conheces, blá blá blá, mas com as pessoas, como com os sapatos, há que ser selectivo para evitar incómodos.

Ignorar ou respeitar a conduta de cada um é uma coisa, não ter opinião ou dar aprovação é inteiramente outra. 

Afinal, quem é amigo de todos não é amigo de ninguém e a neutralidade em tempos de crise conduz ao inferno, lá dizia Dante.

Se ser conservador significa melhores valores,  requinte, sobriedade, melhores comportamentos, comida e roupa de maior qualidade, aperfeiçoamento interior, melhores relacionamentos...então só posso mesmo que concluir que existe uma Nobre Arte de ser Careta

6 comments:

Sandy said...

Ainda bem que és careta e que escreves um blog ;) Beijinho e bom fim de semana

Neuza Mariano said...

Adorei o que li!
Parabéns

Muitos beijinhos
MUAH*
Blog | Youtube | Facebook

Imperatriz Sissi said...

Obrigada meninas! Beijinho e bom fim de semana :D

Margot said...

Sissy, adorei mais este seu texto. Muito ACTUAL e assertiva como sempre! Gostava também de perguntar-lhe o nome do filme da fotografia que ilustra este post. Grata! beijnhos

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Margot :)
A imagem é do filme "The White Countess" (em português, " A Condessa Russa". Beijinho.

Margot said...

Sissi, muito obrigada! Adoro filmes de época, por isso perguntei. Vou tentar encontrar o filme. Beijinho

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