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Saturday, May 17, 2014

As "pessoas Cluedo"


Eu não gosto de pessoas óbvias, daquelas que se dão com todo o bicho careta, que conhecem toda a gente, fazem questão de ser íntimas de todo o mundo. Além de me parecerem vulgares, deixam-me desconfortável.

   Sempre preferi gente ponderada, discreta, selectiva, segura de si, com um certo ar altivo, que faz mais e promete menos e se gaba menos ainda; indivíduos espirituosos q.b (ser reservado não implica ser sorumbático) mas que sabem quando devem estar calados (pois lá diz o povo: promete pouco e cumpre muito, a palavra é de prata mas o silêncio é de ouro, etc) e que recusam dar confiança a tutti quanti.
     Há um apelo irresistível numa aparente frieza que esconde um espírito caloroso e meigo, num certo mistério. O meu fraquinho foi sempre para as pessoas com algo de enigmático, de indecifrável que é preciso ver melhor para abarcar, absorver aos poucos - e acima de tudo, que não concedem esse privilégio a qualquer um (a).

 Porém, não exageremos - se o mistério tem o seu encanto, a franqueza, a sinceridade e a comunicação clara, sem áreas cinzentas, é que fazem qualquer relação funcionar - seja ela de amizade, amorosa ou profissional.

 E se há coisa que me tira do sério são as Pessoas Cluedo. Lembram-se do jogo de detectives?

 Ou seja, uma Pessoa Cluedo, além de ser telhuda e zangar-se de um momento para o outro, pensa que os outros são bruxos - ou Poirots, Sherlock Holmes e Miss Marples - e que têm, portanto, de adivinhar qual foi o móbil, a arma do crime e a ocasião que motivou a birra (ou o longo amuo, a fúria, etc) de Sua Excelência.

 Perante as suas cenas, fica-se em modo "mas que foi que eu fiz?", "será que acordou para o lado errado?" e anda-se ali dias e dias a conjecturar, a recordar detalhes, até chegar ao momento Eureka de lhe dizer das boas ou,  se o erro foi realmente nosso, pedir uma desculpa zangada, acrescida de um "MAS PORQUE É QUE NÃO DISSE LOGO?".

Ná, as Pessoas Cluedo são demasiado importantes para explicar o que as incomoda. Ou sofrem de um complexo permanente de Bebé, que como não sabe falar protesta assim.

 Ora, eu considero-me do mais observador que há, tenho uma certa habilidade de profiler e muito boa memória, mas se quisesse ser detective candidatava-me à Scotland Yard ou coisa parecida- e mesmo que fosse uma boa profissional a seguir pistas, decerto teria coisas melhores para fazer no meu tempo livre. Como diria o Sherlock, why can´t people just think?




2 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

LOL eu li o título e pensei logo "este título sou eu", porque efectivamente já várias vezes me apelidaram de misteriosa. Faço alguns rodeios, quando vejo necessidade deles, mas quando algo me incomoda, aí digo claramente, ou dou a entender de forma veemente.

Imperatriz Sissi said...

Eu também tenho cá as minhas reservas e mistérios, mas há aqueles momentos em que ou é pão ou é queijo, senão ninguém se entende!

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