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Sunday, May 25, 2014

Nem tudo o que parece é.


Ver as coisas por um ângulo limitado, sem saber a história toda, pode levar às interpretações mais disparatadas. Como dizem os chineses, "os meus olhos viram, mas até os meus olhos podem errar".  

E uma vez aconteceu-me uma peripécia que foi uma autêntica metáfora disto.

Amiga de árvores como eu sou, passar o Verão na casa de férias na Grande Lisboa, casa essa rodeada de pinheiros a cheirar ao sal do mar, era a minha parte preferida do ano.
 O meu irmão é que não gostava muito, porque estava naquela idade - e como quem tem primos tem tudo, geralmente convidávamos um ao outro para se juntar a nós.
 Ora, certo dia estávamos eu e o meu primo V. a tomar o pequeno almoço quando ouvimos um certo alarido lá em baixo: os vizinhos estavam a tentar convencer uma gata a descer de um pinheiro altíssimo, sem ramos, daqueles impossíveis de trepar mesmo para um felino.
 Saímos para ajudar, e ao fim de uns vinte minutos estávamos com vontade de chamar os bombeiros porque não havia maneira de trazer o bicho para terra firme.
 Não querendo alarmar o condomínio inteiro com a presença de um carro de bombeiros (num sítio daqueles, com tanto pinhal, tinonis eram um sinal pior que o costume) lá nos lembrámos que o que vai para cima tem de vir para baixo, e que ver água convenceria a gatinha a descer.
 Se bem pensámos, melhor o fizemos e a vizinha foi buscar a mangueira de jardim. 
 Mas a mangueira não tinha alcance suficiente para a água chegar a uma árvore tão alta, pelo que o meu primo se lembrou de me pegar às cavalitas

 Estávamos nisto, eu a oscilar nos ombros dele e a vizinha a dar indicações (fazendo com que o animalzinho, que gostava menos de água do que de alturas, se resolvesse a descer pata ante pata) quando o meu irmão acorda e vem à varanda, vendo-nos naquela bonita figura.

 Estremunhado e com os olhos piscos pela luz da manhã, não entendeu nada do que se passava, não viu gato algum, e pensou que ainda estava a sonhar ou que tínhamos perdido o juízo.

 "Que raio andavam vocês a regar naqueles preparos?" - perguntou quando voltámos, muito espantado.

E assim como foi com uma coisa sem importância, que teve logo explicação, é com questões mais complicadas, que levam a mal entendidos. Ver com os próprios olhos é bom, mas convém apoiar isso em informações mais sólidas, não vá perder-se o contexto...





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