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Tuesday, May 6, 2014

Princesa de Lamballe: a mais fiel das amigas.




Quando uma amiga nos diz "punha a cabeça no cepo por ti" é geralmente em sentido figurado - ou, se não conhecermos a tal amiga assim tão bem, caso para desconfiar, porque quando a esmola é muita...
 Mas a trágica Rainha Maria Antonieta, tanto nas maiores alegrias como no meio de todos os seus infortúnios, pôde contar com os tesouros do verdadeiro amor e da verdadeira amizade: amor, o do Conde de Fersen, que até ao fim tentou todos os esforços ao seu alcance para a resgatar; amizade, a da meiga Princesa de Lamballe, a mais fiel e leal das companheiras.



   A lealdade da Princesa é tanto mais valiosa se pensarmos que nem sempre Maria Antonieta pagou na mesma moeda, já que por vezes preferia a companhia da alegre mas estouvada Duquesa de Polignac, a quem favorecia largamente (o que causava a  inveja das maiores famílias do Reino) e que nem sempre a incentivava ao caminho mais sensato. 



Será talvez injusto acusar Madame de Polignac de não ser dedicada -  quando se percebeu que era demasiado perigoso para o círculo íntimo da Rainha permanecer em França, ela ordenou às duas amigas que partissem para o exílio. Ambas obedeceram, contrafeitas. Madame de Polignac adoeceu em Viena e diz-se que foi a notícia do fim de Maria Antonieta na guilhotina que apressou a sua própria morte.


Yolande de Polignac

 Mas enquanto a Condessa (e depois Duquesa) de Polignac tinha algo a ganhar com a amizade da Rainha, já que vinha de uma boa, mas empobrecida família, a Princesa de Lamballe - nascida Maria Luísa de Saboia, filha dos Príncipes de Hesse-Rheinfels-Rothenburg e de Carignano e escolhida pela sua educação virtuosa para casar com o Príncipe de Lamballe, herdeiro da maior fortuna de França - brilhava por direito próprio. 



Se Madame de Polignac encantava pela sua sofisticação e beleza, a Princesa de Lamballe era admirada por todos graças à sua elegância, piedade e simplicidade.
 Aos 19 anos já era viúva do seu devasso marido, que a deixou riquíssima. Quando a preferência da Delfina - e entretanto jovem Rainha - esmoreceu, por achar a Princesa demasiado séria e discreta para os seus passatempos frívolos, Madame de Lamballe 
voltou-se para as suas obras de caridade ao lado do sogro, mas manteve-se fiel.


 Ao compreender que os seus divertimentos tinham contribuído para manchar irremediavelmente a sua imagem junto do povo francês, a Rainha voltou-se novamente para a velha amiga.
 Infelizmente, era demasiado tarde para as duas: Madame de Lamballe escapou para Bath, no Reino Unido, onde tentou obter ajuda para a Família Real. Lá, temendo voltar a Paris, escreveu o seu testamento. Mas apesar dos pedidos de Maria Antonieta para que não regressasse a França, a Princesa retomou o seu serviço junto da Rainha. Ficou ao seu lado até ao ataque às Tulherias, em 1772. 



 Quando foi presa, quiseram obrigá-a a jurar lealdade à liberdade e igualdade, e ódio à Monarquia, ao Rei e à Rainha. A Princesa aceitou a primeira exigência, mas recusou-se a trair o seu sangue e os seus amigos. Então entregaram-na a uma multidão furiosa, que a linchou. Os detalhes da sua morte horrível e violenta nunca ficaram bem claros, mas é certo que a populaça levou a sua cabeça num espeto e tentou mostrá-la à Rainha, que desmaiou ao saber o que se passava lá fora.
 Pudéssemos todos nós contar com uma amiga tão leal como a bondosa Princesa de Lamballe, ou ser capazes de tal dedicação aos nossos amigos...

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