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Friday, May 30, 2014

Raridade do dia: o "Hino" da Selecção.


Dou ao post o título de "raridade" por dois motivos - porque a minha atenção ao desporto rei é tão pouca que é mesmo uma raridade escrever sobre tal assunto (desculpem qualquer argolada, portanto) e porque a entourage e a cantiguinha que arranjaram para acompanhar a equipa nacional ao Brasil não têm outro nome.


Se não fosse uma amiga a partilhar a crónica de Luciano Alvarez no Público sobre a pérola nessa vasta e nobre fonte de conhecimento que é o Facebook eu continuava feliz na minha ignorância. Mas vi, está visto e agora fazer o quê...


De acordo com o mesmo jornal, vamos ter duas mascotes que primam pela originalidade, o "João do Mar" e a "Beatriz do Castelo" . A Beatriz ainda vá, mas tinham de trazer o mar à baila novamente? Porque não uma varina, já agora? A Rosa Peixeira e a Beatriz do Castelo era mais giro, mais honesto e mais inclusivo, que agora isso está na moda.

                              

E além das mascotes, que assim como assim quase ninguém dá por elas (fazem umas fantochadas lá atrás e pronto) contamos com o tema "Vai Portugal!", interpretado por uma "estrela da música portuguesa" que eu nunca vi mais gorda nem mais magra (ando distraída, mas uma starlet que dá pelo nome de Kika havia de me ficar na memória, eu acho) que é um trabalhinho de, passo a citar "RedOne, produtor e compositor, agraciado com vários grammies e que nos últimos três anos trabalhou com nomes tão conhecidos como Nicki Minaj, Lady Gaga, Jennifer Lopez, Usher, Quincy Jones, Enrique Iglésias, Nicole Scherzinger, Mary J Blige (...)".


Vamos por partes: eu não sei se o que me faz espécie na cançoneta é o mesmo que incomoda Luciano Alvarez. "Vai Portugal" não podia ser mais brejeiro - é uma expressão que me remete de imediato para um trolha no alto do seu andaime a mandar piropos a quem passa; porém, sem ofensa aos trolhas, será escusado acrescentar trocadilhos que nem me fica bem repetir.


Os pastores e os padeiros não me aborrecem: temos pastores (só aqui à porta de casa, e eu não moro exactamente na montanha como a Heidi, há uma série deles) e temos padeiros que muito provavelmente torcem pela selecção, é um facto; afinal, que seria deste país sem pastores e sem padeiros? Daí não vem mal ao mundo. Indivíduos que vestem como padeiros e berram como pastores sem serem uma coisa nem outra, isso sim é problemático mas como também há muito disso o videoclip não deixa de representar uma parte considerável da população.


Há o detalhe precioso da senhora a pendurar a Bandeira Nacional com MOLAS DA ROUPA, mas...de sirigaitas seminuas a segurar ou embrulhar-se na Bandeira, a Bandeiras a apodrecer em antenas de televisão... tenho visto de tudo. Logo...um ponto pela sinceridade, apesar do mau exemplo.


Também vou ignorar a referência a estribilhos futebolísticos de outros carnavais: o portuguesíssimo "allez" (a piscar o olho ao Ricky Martin, ou aos emigrantes lusos?) e a Força que para a Nelly Furtado ninguém podia parar e para a Kika está sempre a crescer são apenas mais um reflexo de duas manias nacionais: o copy/paste e a brejeirice.


O que realmente me faz confusão é a cantora que arranjaram. Tendo em conta que é para o Brasil que vamos e que o produtor trabalhou com Nicki Minaj podia ser pior ainda: ao menos a jovem Kika está vestida. Não muito bem, mas está.

Da maneira como as coisas andam é um milagre não a terem posto de leggings e de calções; suspiremos então de alívio.
   Mas o alívio pára por aí porque entre a dicção da menina ("puh-la selecção", Kika? Não será "pela" selecção?) o amadorismo na colocação da voz, a expressividade e energia de uma bata crua que apresenta no vídeo e o tique de mexer no cabelo como se quisesse cavar um buraco no relvado e sumir-se pelo chão abaixo (mais uma vez não a censuro, eu cá também me sumia...) não sei onde desencantaram tal estrela.

Não é suposto haver castings para estas coisas, daqueles com filas que dão duas voltas aos estúdios da RTP? O resultado iria dar mais ao menos ao mesmo, mas a surpresa não seria tão grande. Isto se eu fingir que neste "meu Portugal" (ai que o refrão já me ficou no ouvido) ainda há coisas que me surpreendam...

4 comments:

Inês Sousa said...

Pois... o que é aquilo?!? É mesmo um coiso definitivamente. Assustador. Deve ter sido dificil fazer uma coisa tão mal feita (sim porque às vezes fazer coisas bem feitas é mais fácil). Vergonha é o que sinto ao ver e ouvir o coiso.

J said...

não sei se comece pela indumentária da menina, se pelo cabelo e/ou maquiagem (ou falta dela)... depois admiram-se que a mulher portuguesa seja conhecida por ser desleixada.

Sandra Marques de Paiva said...

Ainda não tive o prazer de ver nada disso, estou mais além que tu no que toca ao Mundial :) A Kika conheço e tem uma música que gosto muito, mas sim, ainda é amadora, o que para o "Hino" da seleção ou lá o que seja, serve perfeitamente e até acho que é desperdício de talento.

Imperatriz Sissi said...

@Inês, é uma coisa ou um coiso algo mal amanhado...como não acho grande graça a futebol, acabo por notar mais o pitoresco do que propriamente sentir vergonha, confesso!

@J, se formos estereotipar a mulher portuguesa eu diria que 40% é desleixada, 40% é leggings e lycras, unhacas e outras vulgaridades e só se salvam as restantes.
@ Ssandra, não conheço nada da Kika, logo falo só pelo que ali vejo. Ela é muito novinha - 15 anos - e acredita, been there, done that com a mesma idade. Até acredito que cante bem noutro registo, às vezes os registos têm destas coisas, mas que não aprece nada confortável, isso não parece. Até porque uma das primeiras coisas que martelam nos conservatórios e produtoras é não mexer no cabelo e outros tiques! Não havia um assistente de produção com olhos na cara?

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