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Tuesday, May 27, 2014

Rihanna who?


Sendo certo que qualquer rock ou pop star terá sempre um gosto particular na forma como se veste, eu continuo a achar que chamar "ícone de moda" a alguém é um assunto muito sério.
 Primeiro, tem de se atender ao todo - ao conteúdo da sua música, à correcção, sartorialmente falando, das suas fatiotas (por mais extravagantes que sejam) e ao impacto que a sua imagem realmente representa - ou porque traz algo completamente novo, ou porque reinventa muito bem ideias do passado. E por fim, há que considerar a longevidade desse impacto, porque "ícone" implica um certo distanciamento.

Por isso desagrada-me ver como certas revistas de moda tidas como sérias, ou lendárias, verdadeiros árbitros das elegâncias (ou que até há pouco tempo, tinham merecidamente esse estatuto) caem no facilitismo de chamar ícone de moda a starlets como Rihanna.

"Ícone do ano" (se pusermos de parte que "ícone do ano" é uma expressão muito contraditória, no mínimo) ainda vá que não vá. Mas dar-lhe o título no verdadeiro sentido da palavra é quase cair no ridículo.  Uma it girl não é necessariamente um ícone. Ser ícone é um posto!


 E nem é uma questão de ceder a uma vulgaridade que antes seria impensável nas capas de uma Vogue, de uma Elle, de uma Bazaar. Terá mais a ver com uma tendência para o instantâneo, para o efémero, que espero que passe depressa.

  Freddie Mercury, David Bowie, Jim Morrisson, Kate Bush, Diana Ross ou mesmo Madonna, uns mais outros menos, podem ser chamados ícones. Marcaram uma imagem ao longo de décadas. Estão solidamente implantados no imaginário pop. São referências imediatas.

 Daqui a uns anos será seguro, se Gwen Stefani (que anda por aí a impor um estilo há anos largos e se apresenta sempre impecável) ou até Beyoncé Knowles (por toda uma associações de ideias relacionadas com a feminilidade que veio agitar) continuarem a ter protagonismo, dar-lhes tal designação. Imaginemos, muito remotamente, que o mesmo acontecerá a Lady Gaga - que tem pelo menos o mérito de reinventar excentricidades passadas e de valer alguma coisa como compositora- ou a Lana del Rey (outra estrelinha com beleza e aura vintage). Isso seria puxar um pouco o envelope, mas não totalmente injusto. Duvido que tal se venha a passar com Rihanna, por mais que faça campanhas da Balmain, ou com Rita Ora, que está muito bem para a Adidas mas fiquemos por aqui.

 O seu estilo grita prazo de validade, mas ainda que me engane é muito cedo para as colocar na excelsa prateleira de Freddie Mercury. Dizer que têm de comer muito sal para lá chegar seria um eufemismo quanto mais não seja em termos de moda; porque em relação à música, don´t even get me started. Não comparemos o incomparável.





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