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Friday, June 13, 2014

Eu embirro com...as pessoas "I want it all, and I want it now".



Bom, não será bem assim pois Deus me defenda de embirrar com o meu adorado Freddie Mercury. Eu própria sou, por natureza, impaciente quanto baste (um traço de carácter que é  sempre sensato moderar).  Desesperar quando se espera é humano. 
   Para além disso a ambição, desde que saudável, razoável e bem conduzida, com ética, integridade, noção dos próprios dons, limitações e circunstâncias, não deixa de ser uma qualidade. 

 Não esqueçamos ainda que tempo é dinheiro e que se as coisas são para ser feitas, é agarrar a oportunidade e realizá-las em tempo útil. Tudo isto é verdadeiro.

 Aquilo com que embirro não será a vontade de chegar a um objectivo ou terminar uma tarefa, tanto quanto possível, depressa e bem. O é para amanhã, tão característico dos latinos, pode ser exasperante.

 Mas como sempre, no meio é que está a virtude. E há pessoas que não só dão passos maiores do que a perna e esquecem que quem tudo quer, tudo perde, como querem tudo para ontem. Ou melhor ainda, para anteontem. E lá diz o sábio povo, "o apressado come cru".

 Se um bolo está no forno, não são capazes de o deixar cozer em paz. Abrem o forno de dois em dois minutos, palitam a massa a ver se já está sólida, perguntam "já está? já está?". Claro que o bolo fica estragado. 

Se plantam batatas, não têm paciência para as deixar nascer: desenterram as pobres coitadas todos os dias a ver em que pé as coisas estão. Quando enviam um currículo, na manhã seguinte ligam trinta vezes para saber se estão contratados. Se algo está em curso, ainda a procissão não saiu do adro já andam a exigir novidades. Depois impacientam toda a gente, a procissão já não sai e ainda se queixam que tudo lhes corre mal.

 Não dão tempo para que nada se construa, para que se tomem os passos necessários, não respeitam o ritmo das situações nem a sensibilidade alheia, tão pouco pensam que os outros envolvidos terão mais que fazer.

Entram em pânico por qualquer coisa, colocam pressão em tudo, são incapazes de serenidade e de ter um toque leve. Gente assim não durava dois minutos numa guerra - denunciava logo a posição ao inimigo.

Ora, a paciência, o saber esperar - desde que sem exageros - e acima de tudo, o saber esperar caladinho e pensar noutra coisa enquanto se aguarda o resultado é uma grande prova de carácter, humildade e auto domínio. 

 Como aprendi a ser muito paciente, muito tolerante com a maluqueira alheia, mas nunca soube lidar com indisciplinas e falta de auto controle, pessoas que querem constantes indícios, sinais, novidades e feedbacks  tiram-me do sério.

 Quem não está disposto a aguardar com a devida calma... ou é inimigo da perfeição, ou muito infantil, ou pouco empenhado no objectivo em causa.  E em geral, só mostra que não tem intenções muito sérias- porque se desinteressa do assunto e passa rapidamente a outra coisa caso nada aconteça com a rapidez que deseja. Easy comes, easy goes.

 Até se pode querer tudo - mas deixem o tudo fazer-se. E fechem a matraca. Roma e Pavia não se fizeram num dia, e as coisas que valem a pena nesta vida são como o amor verdadeiro e a alta costura: fazem-se esperar.

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