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Sunday, June 8, 2014

O regresso da modéstia - gostem ou não.


Vejam isto: alguns dos portais de moda mais influentes recomendam que, a bem de não datar o guarda roupa, este Verão se guardem por ora as micro-minis, e que as substituam por saias frescas abaixo do joelho. Temos revolução, ou é simplesmente a ordem natural das coisas?

Oscar Wilde achava que a moda era uma coisa tão feia, mas tão feia que precisava de mudar constantemente - frase que se pode complementar com o pensamento de Yves Saint Laurent: "as modas desvanecem-se, o estilo permanece".

 Pessoas de gosto têm um estilo definido e intemporal, construído com a consciência do que lhes fica bem, que é mantido fresco com apontamentos e pequenas actualizações de acordo com as tendências vigentes.

 Só assim um visual nunca parecerá congelado no tempo, evitando-se ao mesmo tempo a "doença" da fashion victim.

 A verdadeira elegância implica quase sempre uma atitude de certa condescendência em relação à indústria de moda - por mais que se seja conhecedor e apreciador - o desprezo pelas novidades demasiado extravagantes e um acompanhar e analisar o que se passa, mas a uma distância segura. Volto a citar Coco Chanel: "elegância é recusa".

 Logo, quem tem estado atento terá assistido a certas convulsões de imagem nos últimos anos:  se ainda não tanto nas ruas - já que paradoxalmente, quanto mais atrevida ou espampanante é uma tendência, mais facilmente as pessoas parecem aderir a ela, tendo ou não figura para a usar - pelo menos nas passerelles.

Por aqui, já espanquei muito o insuportável "stripper chic" - ou como os italianos dizem mais brutalmente (com licença da palavra) "la moda de la puttana".

 O exagero grosseiro de calções mínimos, bandage dresses reduzidos, saltos de dançarina do varão e afins - influência de Kardashians e outros reality shows, de cantoras como Rihanna e, por cá, de ideias do Brasil, tudo isto acompanhado de formas demasiado abundantes em roupas demasiado reveladoras - tem vindo  a  ser substituído (a bem de uma higiene visual, acrescente-se) pelo  ladylike, inspirado nos anos 50 (curvas sim, mas livres de uma sexualidade óbvia) por tendências de inspiração  cool,  masculina ou preppy, de linha mais esguia e até pelo grunge. 

 Neste momento, volta a ser considerado mais sedutor não revelar tudo. A subtileza volta a estar na moda. Tal como a Natureza, a moda repõe sempre o equilíbrio. Isto foi evidente no ano passado, com as propostas românticas de Valentino a virar os dados.

 Correndo-se o risco de uma viragem completa - ou seja, de um exagero no sentido oposto - todas estas são mudanças bem vindas e que as mulheres de bom senso saberão empregar da melhor forma. 

Com um pouco de sorte, assistiremos ao regresso de uma certa modéstia e elegância, com peças como as saias abaixo do joelho, cinturas vincadas e pantalonas a substituir o ultra justo, ultra sexy, ultra curto - o gratuito, em suma. 

 Quando até os meios de comunicação mais "moderninhos" assim o sugerem, acho que podemos estar descansadas. Vestir como uma stripper vai deixar de ser considerado habitual- é só esperar um bocadinho.

 (Isto para gáudio das que sabem que deixar algo à imaginação pode ser muito mais sugestivo, e aflição daquelas que pensam que não ser explícita dá demasiado trabalho...)
  

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