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Tuesday, June 3, 2014

Romantiquice do dia (porque o cinismo, sempre, cansa)



"(...) quando o amor é de raiz, tolice é querer arrancá-lo"

Júlio Dinis, "Os Fidalgos da Casa Mourisca"


Gostaria de em breve dedicar um post detalhado a este romance, que além de ser um dos meus preferidos me faz grande pena que seja tão pouco acarinhado em detrimento não só de outras obras (a meu ver, menos encantadoras) do mesmo autor, como infelizmente de muitos livros menos adequados - particularmente nas escolas e liceus.
 Já aqui o disse que ler Jane Austen devia ser ponto obrigatório para raparigas de juízo, mas o autor português (de origem anglo-irlandesa, aliás) não fica muito a dever-lhe no que toca ao bom senso.

    A sua obra, e Os Fidalgos da Casa Mourisca em particular, está cheia de humor, de vivacidade, mas também de ideias edificantes - o dever acima da satisfação pessoal, a reverência pela tradição, a ponderação, o orgulho, o pundonor, a modéstia, a honra, a delicadeza - e acima de tudo, apresenta vários retratos femininos da mulher perfeita.

   Perfeita na beleza e no esmero com a sua aparência, mas sobretudo perfeita na elegância, no ânimo e nos dotes do espírito: Berta, Gabriela ou até Ana do Vedor, a espalhafatosa ama, representam cada uma à sua maneira a mulher independente (tão independente como podia ser naquele tempo, mas de modos que tomariam muitas hoje) capaz de paixões mas igualmente capaz de as moderar para não ser sacrificada por elas, capaz de heroísmos mas evitando extremos romanescos, cheia de graça e cheia de auto domínio - e apesar de feminina, bem hábil a defender-se, nem que seja - palavras da Ana do Vedor, não minhas - "chimpando com um cântaro de água pela cabeça abaixo" a certos mariolas.

  Se em vez de ideias "feministas" e romances de cordel se plantassem nas cabeças e nas estantes das moças livros que ensinassem alguma coisa - quanto mais não fosse a alinhavar uma prosa com jeito - teríamos mulheres mais apropositadas e bem preparadas.
  
 Quanto a abafar o amor, o amor verdadeiro e de raiz, estou com o autor, que viveu tísico e morreu novíssimo (com 31 anos) e por isso lá saberia alguma coisa de viver intensamente: negar o óbvio faz doenças, mina o ânimo, corrói a existência. Ou citando, é muito mau resignar-se aos desgostos que se podem evitar...





1 comment:

Olinda Melo said...

Também li. E gostei muito. :)

Bj

Olinda

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