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Thursday, June 19, 2014

Sobre o assunto do dia: Doña Letizia.


Espanha tem uma nova Rainha consorte. Ao longo de dez anos de casamento, a então Princesa das Astúrias - uma mulher que dizem (ou se tem mostrado) independente, determinada, cheia de opiniões, algo intempestiva e muito ciosa da sua modernidade ou "normalidade", com tudo o que isso encerra de mais ou menos positivo - teve momentos em que soube manejar as circunstâncias a seu favor e conquistar admiração contra todas as probabilidades num ambiente marcadamente hostil...e outros não tão felizes.
 Não me vou alongar sobre o assunto que tem feito correr muita tinta ao longo da semana (as análises são  muitas e com pareceres mais ou menos apaixonados) mas aposta-se que terá uma posição  muito diferente da sua antecessora, Princesa de sangue e mulher de outro tempo, mais afeita a um papel tradicionalmente feminino.



 Pois é aqui que as subtilezas começam e que a ex jornalista me intriga enquanto espectadora, quando comparada com outras jovens princesas e rainhas de percurso semelhante. Catherine, Máxima, Mary ou mesmo Mette -Marit -esta com um passado bem mais sombrio - aparentam ter-se fundido no ambiente que passou a ser o seu. Umas mais discretas, outras mais espontâneas, parecem ir cumprindo os seus deveres como mulheres de hoje, mas isentas de uma certa atitude de desafio que (verdadeira ou falsa) é atribuída à jovem e bela (porque o é, com mais ou menos retoques) Rainha de Espanha. 

 A forma de estar de Doña Letizia, como o seu estilo, não é exactamente regular: momentos fantásticos e outros que ficam aquém por um excesso de simplicidade e quase desatenção (propositada?) às exigências do protocolo.


 A sua personalidade e os ossos do ofício que são difíceis de perder contribuirão talvez para dar razão aos seus detractores - uma mulher espontânea forçada a reprimir uma personalidade borbulhante poderá sofrer como consequência o pouco à vontade que alguns lhe apontam. 

 Nem todas as mulheres demonstram doçura e meiguice da mesma maneira; é fácil confundir nervosismo ou reserva com arrogância; mas uma Rainha, principalmente uma rainha consorte, deverá estar acima destas coisas e (tarefa difícil!)  polir os aspectos menos agradáveis do seu carácter...nem que isso signifique passar por menos "actual" e perder um pouco da "independência" que lhe parece ser tão cara.

   Do célebre "deixa-me falar a mim" no anúncio de noivado a momentos em que mostrou menos reverência para com os sogros passando por uma alegada recusa de ter mais filhos porque uma mulher é tão capaz de herdar o trono espanhol como um  homem, é sugerida uma luta permanente, um esforço demasiado vincado, para conciliar o  dever com a ambição de mostrar que não deixou de ser quem era. E com isso, perde-se uma graciosidade que faz parte das exigências do "conto de fadas" e que a Duquesa de Cambridge, por exemplo, tem de sobra.

Se é inevitável que os tempos mudem e que a Monarquia se adapte para estar mais próxima do coração das pessoas, há que considerar que certos aspectos tradicionais são traves mestras; que uma Rainha não pertence a si mesma, que - por mais novidades que se introduzam - será Filipe VI a figura de proa e que não há nenhum insulto num papel "secundário".  Grande poder, grande responsabilidade...e grandes sacrifícios. 

                                   

   Se Doña Letizia tiver a destreza de imprimir um estilo próprio e simultaneamente adaptar-se à instituição que representa em vez de esperar o inverso, parece-me que tem tudo para ser amada pelos espanhóis - e sempre achei que é para isso que as Rainhas servem, para serem queridas pelo povo e unirem as pessoas em torno de um conceito muito acima de quaisquer ideais políticos. 
 Não é uma questão de abandonar a pessoa que foi, mas de vestir uma nova pele, de desabrochar. O tempo de provar que não perdeu a personalidade já passou - da Rainha Letizia não se espera a jornalista desembaraçada nem a Princesa em busca de afirmação, mas o rosto sereno e confiante do Reino da Espanha.


  

1 comment:

Gata said...

Eu acho é que ela não tem grande naturalidade, mas também não deve ser nada fácil, com todos os olhos postos nela!

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