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Sunday, July 13, 2014

"Ai se fossem minhas filhas" e "jornalistas que deseducam o povo" parte II. Ou pesadelo do dia.


Isto na TVI, como não podia deixar de ser (um dia arranjo maneira de bloquear os canais generalistas, palavra). 

Começaram com uma reportagem, como se fosse assunto muito sério, sobre a multidão de adolescentes a desmaiar de calor, inanição e exaustão à espera do concerto dos One Direction. Meninas patetas aos guinchinhos e a responder com "ya" às perguntas da repórter, enquanto os paizinhos parolos (ou mãezinhas, neste caso) se mostravam muito zangados com a organização que "nunca mais abria as portas às meninas que lá estavam, sem comer, desde as 6 da manhã, a apanhar sol na cabeça".

 Ora, minhas senhoras: o sol na cabeça não é grave. Tanto as senhoras como as suas filhas devem ter apanhado imenso desde que elas tiveram a desdita de vir ao mundo com mães tão pouco extremosas, só pode, e mais sol menos sol a diferença não há-de ser muita. 

  Porque uma adolescente não sai de casa às cinco da manhã sem autorização para ir, feita taradinha canta monos, esperar por cinco pirralhos cantores, certo? Ou não deve. Para socorrerem um pobre tinham preguiça de se levantar a tais horas, de certeza. Logo, se as vossas filhas foram laurear a pevide sem supervisão pela madrugada fora, se não se alimentaram, se estão a apanhar insolações e a torrar o pouco miolo que lhes resta, a culpa não é da organização: é vossa, que não lhes incutiram cultura musical (ninguém que tenha um bocadinho de conhecimento de causa fica histérica com uma patetice como os One Direction) nem decoro ou espírito crítico (porque quem recebeu noções disso não cai em idolatrias nem histerias, muito menos por  uma patetice como os One Direction) nem noção da realidade (porque quem tem tal coisa não acampa à porta de um concerto disparatado). 
 Rédea solta, para mais rédea solta sem auto-responsabilização, sem um bocadinho de mundo, sem auto domínio e uma pitadinha de cultura é do piorio.

Mas o noticiário ainda se desgraçou mais, pois a propósito falaram logo a seguir de um ídolo português, David Carreira. E não sei o que era pior: se as fãs igualmente tontas e histéricas mas ainda mais rústicas do menino num concerto em Odivelas (chique a valer!) se a jornalista, saloia todos os dias sem ofensa aos honrados saloios que plantam couves e batatas, a dizer " por onde quer que PASSA, David arrasta multidões"...ou algo do género.

 Ah, sua irremediável, sua grandessíssima (e adequadíssima, por acaso) pindérica: é por onde quer que PASSE que se diz. Ou então, "por onde PASSA"...

Já não exigem que se conjuguem os verbos correctamente nas faculdades ultra inclusivas e democráticas, para não vedar o acesso ao ensino superior a quem, coitadinho, não sabe falar  a própria língua? 

E assim continua o jornalismo  a deseducar o nosso povo,que já não é dos mais sofisticados.

Mas não ficou por aqui: a fiada de descalabros fechou com um anúncio à...Herbalife em parceria com o Cristiano Ronaldo, moving on para um horror chamado Somos Portugal. Acho que acabo de ter um pesadelo lúcido, ou morri e fui parar ao Purgatório sem me ter apercebido. A TV é coisa do Demo que o Príncipe das Trevas, sempre criativo,  inventou para troçar das pessoas honestas. Cada vez mais me convenço...

1 comment:

Urso Misha said...

só vi o principio dessa "peça" e presumia uns
repórter - e o que fazias tu por um bilhete dos One Diretion?
elas - TUDO!

já não estou para ouvir isso, parece-me decadente e triste, muito triste, ouvir isso...

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