Recomenda-se:

Netscope

Saturday, July 12, 2014

As coisas que eu ouço: quem é o galo?!



"The token power position is for public display, but the true power position is for private viewing only. And this is the only one that matters".


Sherry Argov

Já se mencionou vezes sem conta por aqui que as mulheres, querendo tanta independência e tendo tanto medo de ficar sem ela, andam a perder um dos seus atributos mais poderosos: a subtileza. A capacidade de mexer os cordelinhos com jeitinho feminino, de levar a água ao seu moinho ou a brasa à sua sardinha sem que ninguém dê por isso. Querem tanto mandar que não mandam em coisa nenhuma e se cansam o dobro. 

Antigamente não confrontavam, desviavam; obedecia-se à ordem biológica das coisas e embora aparentemente cedessem a autoridade ao homem, acabavam por determinar tanto ou mais que agora. Com menos gritos e menos cenas, pelo menos. Eles sentiam que comandavam a barca, ficavam muito ciosos da sua autoridade e muito vaidosos da sua supremacia (são uns bebés, eles...) e em troca, faziam-lhes as vontades. Era um jogo de casal que pouca gente faz por manter... o que é uma pena.

 Embora numa relação saudável não haja escravos nem senhores (mal estaríamos) se alguém tem de dar a aparência de "general" que sejam eles, que têm a força e o vozeirão. Poucas coisas são tão degradantes de ver como um homem pau mandado, emasculado, com medo da "patroa" e uma mulher mandona que põe e dispõe aos guinchos como uma galinha da India...

Sempre houve casos assim, mas como antes não se falava cá em igualdades esse era um mal mais raro. Ora, uma família amiga da minha, excelentes pessoas, era mesmo da velha guarda: ela muito feminina, cheia de personalidade, pequenina e enérgica; ele um grande  ribatejano de cepa em extinção, muito bon vivant, muito bem disposto, muito amigo da mulher mas zeloso da sua autoridade de chefe de família. 

 Como confiava no bom senso da esposa, lá a deixava gerir a casa à sua maneira e agir como achasse melhor; mas quanto sentia que ela estava a exagerar ou a entrar em território que não cabia a mulheres, tinha sempre o mesmo estribilho. Empertigava-se muito do alto do seu metro e oitenta e tais e com o seu engraçado sotaque, dizia-lhe "Odeti! * pausa* Quem é o galo?!"E a D. Odete, divertida mas a fingir-se muito contrariada, lá lhe cedia graciosamente a autoridade simbólica... ficaram juntos até ao fim, conforme tinham prometido perante o altar. 


 Talvez isto pareça pitoresco ou conservador a quem tem ideias mais "modernas" mas pelo que tenho testemunhado... famílias que são geridas ao contrário, com a galinha no poleiro e o galo na chocadeira, salvo seja, não costumam ser muito felizes. A esposa não respeita o marido, porque ninguém gosta de bananas nem de palermas e uma mulher muito menos, por mais que lhe pareça que é agradável decidir tudo; o marido por um lado habita-se a não fazer nenhum, a não tomar decisões e por outro ressente-se.  Nas raras ocasiões em que se revolta são gritos de meia noite; e como muitas mulheres tendem a ser caprichosas e emocionais, se não houver uma voz de calma, de racionalidade a pôr como dizia a minha avozinha, alto na papeleta, os filhos sofrem um mau bocado. Já vi e digo-vos, mete medo. Ou pena, nem sei bem...



  


No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...