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Tuesday, July 15, 2014

Cuidado com as arrumações, ou memorial de uma birra monumental.


A tardia vinda do Verão tem sido aproveitada  para reorganizar e redistribuir alguns móveis, de modo a maximizar o meu tempo e recursos com a maior eficácia -
leia-se, deixar de me desesperar porque as clutches de sair, por exemplo, estavam numa prateleira demasiado alta ou porque os cintos se sobrepunham e davam comigo em doida. 

Conselho de amiga: não comprem demasiados cintos. Mesmo escolhendo só os de melhor qualidade, tendem a acumular e a enrolar-se uns nos outros e...enfim, já estão em pequenas gavetas separadas mas cheguei à brilhante conclusão de que aquilo que me faz falta para ser feliz é um closet igualzinho ao da Vogue, e mesmo assim havia de haver muita movimentação de charriots!

Andei a fazer serão nisto, toda entretida, e lembrei-me de que estas operações sazonais de arrastar e mudar móveis eram frequentes lá em casa quando eu era pequena. Volta e meia redecorava-se para arejar e arrumar de uma forma que desse mais jeito. 

 Levava-se o dia todo nisso e era muito engraçado porque quase sempre ia descobrir coisas de que já não me lembrava, ou reutilizava algum móvel perdido no sótão (uma vez fiz de uma estante velha uma casa de bonecas, com ajuda da avó). Todos participávamos nesta actividade de família - às vezes com ajudas, e o meu tio preferido que tinha jeito para a bricolage vinha dar uma mão e tudo -  e eu nunca me aborrecia.

 Mas houve uma vez (tinha eu uns sete anos, atenção!...) que os meus pais acharam que o meu quarto, que era bastante grande, precisava MESMO de umas alterações valentes. Não me recordo já o que era, mas foi uma "volta" de alto a baixo. Sei que chegámos ao fim do dia exaustos como é natural...e ainda não tínhamos terminado. Só me lembro de ver no chão uma pilha gigantesca de livros e cacarecos.
 Sendo amiga de ter tudo em ordem, não gostei nada de andar a tropeçar em toda aquela tralha e como estava cheia de adrenalina nem dava pelo sono que tinha.

 Mas claro,a mãe percebeu e como era natural, mandou-me para a cama, que amanhã havia mais

Pois sim! Embirrei que era incapaz de dormir com tudo aquilo à volta da cama, e que já que estava lançada queria tudo arrumado e limpo, que não me ia deitar coisíssima nenhuma. Quando me mandaram calar e obedecer desatei numa choradeira que só visto, eu que nem era de fazer berreiros, como se me tivessem dado um grande desgosto. Ameaçaram-me com um bom correctivo se não me calasse, apagaram a luz e fecharam a porta...e eu ainda a soluçar como se fosse uma coisa muito grave, até que caí para o lado.

 Lembro-me de acordar de manhã sem perceber porque tinha feito uma cena tão grande. Afinal, no dia seguinte completou-se o trabalho num instante. 

Isto do instinto fashionista- super-organizado não convém que se junte a birras de sono....

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