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Wednesday, July 23, 2014

Cumpram-se as regras, que é muito mais bonito e é pelo exemplo que se ensina.

Retrato de Cecil Beaton
Para o bem e para o mal, vivemos numa época de descontracção, de informalidade, de facilidade, de rapidez, de vale tudo
  Desgraçadamente, acho que o nosso tempo podia ser o tempo do "quem não gosta não olha", o tempo do " não podemos ser rígidos que isso já não se usa" ou o tempo do "vai mesmo assim"

Quem procura manter certos padrões e tradições pode até ser apontado como conservador, velho do Restelo, chato ou careta (o que não é necessariamente um insulto, já o disse muitas vezes) por quem está de fora ou pior, pelos seus pares.
 O hábito de vestir bem - ou vestir adequadamente- para as ocasiões é cada vez mais limitado a certos círculos, e olhem lá! Até entre os que têm a obrigação de saber a tabuada toda se vêem desleixos escusados: uns porque se estão nas tintas e outros porque, sabendo que os outros assim estarão, se sentem desconfortáveis ao cumprir os códigos by the book.

 Há dias, num recital cá do burgo, só as cantoras estavam de vestido comprido de noite - no público havia de tudo, de mangas de camisa a camisolas de malha passando por calças de ganga. Nas saídas à noite é o que se vê. 

O bonito hábito de usar chapéu em casamentos também vai rareando, o que é uma pena porque quantas mais ocasiões há de pôr uma capeline ou toucado? De igual modo, as mantilhas ou véus de Missa caíram em desuso - no nosso país, pelo menos - e embora haja uma nova geração que procura fazer regressar esse encantador costume (e outros quantos detractores) muitas meninas e senhoras que gostariam de o fazer hesitam, com medo de dar nas vistas
   Sobre isso não me pronunciarei porque  há pessoas de direito com muito mais entendimento para o fazer, mas arrisco dizer que será mais reparado uma rapariga de véu que uma madrinha de mini saia a encaminhar um inocente para a Pia Baptismal, ou uma noiva com decote de cabaret

  O à vontade - de que o vestuário é só o exemplo mais visível-  instalou-se em vários aspectos da vida, a começar pelos mais mundanos. E essa descida de padrões acaba por não ser divertida sequer. Há todo um sentido de ritual que se perde. A antecipação, a preparação para um dia diferente, fazem parte da alegria de um evento. 
Paradoxalmente, saber com o que se conta e apresentar-se de acordo é meio caminho andado para estar à vontade - mas à vontade no bom sentido.

 Se uma cerimónia não tem um guião, não tem códigos, não tem regras, ninguém sabe a quantas anda. É como um baile em que ninguém sabe dançar. Uma sensaboria.

 Bem diz o povo: quem dos dias faz iguais, das casas faz...bom, casinhas para animais de criação.

 E como se contraria tal tendência? Bom, primeiro o exemplo deve vir de cima. Quem manda, quem organiza, deve pensar na qualidade, deve providenciar para que os bons hábitos se mantenham mesmo que isso implique desagradar a meia dúzia de pessoas. Há formas delicadas de explicar tudo, e além disso só custa ao princípio

Em Itália, não se entra nas Igrejas em certos preparos. Nas corridas de Ascot, verificando-se um acréscimo de relaxarias e extravagâncias na última década, a organização tratou recentemente de ter meninas à porta a vigiar quem não estava vestido de forma apropriada,  entregando pashminas e chapéus para que ninguém se constrangesse e o evento mantivesse os seus padrões de elegância.

 Depois, essa também é uma tarefa que cabe a cada um. Embora discrição e classe caminhem sempre juntas, eis uma excepção em que se dá nas vistas por uma boa causa. É preciso mostrar exemplos para que os bons hábitos se espalhem, e cultivar esses pequenos rituais. Afinal, a única diferença entre o assim-assim e o especial reside num bocadinho de atenção e força de vontade.





2 comments:

A Flor said...

Sissi como concordo contigo!

Tenho um grupo de amigas íntimas e uma delas vai casar. Estávamos um dia a discutir os modelitos que cada uma iria usar no grande dia e eu, a ouvir falar em decotes, mini-saias e lycras resolvi dizer: "Por favor, um casamento é uma cerimónia de respeito, vejam lá o que vão vestir."
Não é que ficou tudo a olhar para mim com um ar incrédulo? Até a noiva, meu Deus...

Sandra Marques de Paiva said...

Vou reencaminhar este texto pro senhor meu futuro marido. Obrigada :)

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