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Monday, July 14, 2014

Há pessoas que são como as trovoadas.





Não é que lhes queiramos mal, de longe têm o seu pitoresco, mas tudo nos defenda de as ter por perto: dá vontade de as esconjurar porque não fazem senão estragos. Só levantam ventos, atiram raios e coriscos e fazem os outros cair no pecado da Ira. 

  Em casa da avó, se a tempestade ameaçava, havia a tradição de defumar o espaço com alecrim e outras ervas e fazer uma curiosa oração. Reproduzo-a aqui com a métrica popular, porque corrigindo-a perde-se a cadência e o encanto:

S. Gregório se levantou
Seu caminhinho andou
Nossa Senhora lhe perguntou:
Onde vais, S. Gregório?
Vou arredar as trovoadas
Arredá-las bem arredadas
Para onde não haja eira nem beira, nem pé de figueira, nem pedra de sal, nem nada que faça mal.

 Ora, com pessoas venenosas, que invadem tudo como as ervas daninhas e só estão bem a causar danos a quem está quieto, a vontadinha é igual: arredá-las bem arredadas.
Sempre tive curiosidade por estas crenças folk e recolhi um bom número delas, de muitas fontes diferentes: noutras rezas semelhantes, para afastar as trovoadas ou qualquer outra coisa má, também aparece muito a imagem "que vá para o Rio Jordão, onde não faça mal a nenhum cristão" mas acho isso um pouco limitativo. Pelo menos quando se trata de gente ruim- acho que há muçulmanos, hindus, judeus e outros que são boas pessoas, logo também não merecem tropeçar em almas destas. 

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