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Thursday, July 10, 2014

Mal por mal, antes Dame Barbara Cartland...


...que era uma senhora de boa sociedade com uma relação on e off com a Princesa Diana (enteada da sua filha Raine, Condessa Spencer) adorava cor de rosa, só escrevia folhetins românticos mas inofensivos (segundo a autora, não tão inofensivos assim: alegadamente, os únicos livros que Diana de Gales lia eram os seus e  isso não lhe fazia propriamente bem às ideias) e que me lembre, não opinava *muito* sobre outros disparates. Bom, pelo menos não de uma forma que caísse mal a uma dama.

 Aliás, quando punha colherada era no sentido de usar a sua influência para fazer obra que se visse em prol dos mais desfavorecidos, o que lhe granjeou várias honras e distinções.



Lá andava sempre sonhadora, rosada, contente, emplumada e em festa, o que não quer dizer que fosse parva nenhuma: afinal, sendo oriunda de uma família de classe média-alta empobrecida, construiu o próprio sucesso após a II Guerra como jornalista e escritora numa hábil mistura de beleza, encanto, empreendedorismo e sim, miolos. Barbara Cartland nunca escondeu que escrevia romances levezinhos (mas ao pouco que li, relativamente correctos do ponto de vista histórico) com capas bonitinhas  que faziam as mulheres sonhar. Nunca pretendeu fazer-se de intelectualóide espertalhona, nem outra coisa senão dar às pessoas o que elas queriam, sem cair na vulgaridade.

 Por isso dá-me vontade de rir quando vejo certas escritoras (light, ainda por cima) da nossa praça não só a intitular-se escritoras (creio que isso é como ser poeta ou  bonita, não cabe a cada um dizê-lo de si próprio e lá dizia Almada Negreiros, nem todos os que escrevem sabem escrever!) mas a pretender ser muito informadas, muito argumentativas, muito interventivas.

Uma mulher não deve ser opinativa em demasia, muito menos de forma agressiva e ácida. Se  falar por falar, sem grande conhecimento de causa, pior um pouco mas não muito, porque a atitude panfletária e nervosinha já lá está.   A fronteira entre  parecer inteligente, culta e com personalidade e parecer uma pata choca é muito ténue. Mas se é para intervir que seja ao liderar uma obra de caridade, uma iniciativa solidária, a fazer algo mais do que abrir a bocarra para dizer tolices que ninguém encomendou. Mulheres inteligentes não precisam de provar que  o são. Quanto mais uma mulher apregoa a sua inteligência, maior atestado de pateta passa a si própria...

 Muitas fariam bem melhor figura se fossem modestas e se resignassem à descrição, bem mais graciosa e menos cómica/duvidosa que já citei aqui

"Não era uma escritora. Era uma senhora que não tinha nada que fazer". 

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