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Tuesday, July 29, 2014

Maria Fitzherbert e Josefina: adoradas e...desafortunadas (Parte I)


"Adeus, mulher, tormento, felicidade, esperança da minha vida, que eu amo, que eu temo, que me inspira os sentimentos mais ternos e naturais, tanto como me provoca os ímpetos mais vulcânicos do que o trovão." 

                                                                                 Napoleão a Josefina


Na vida de uma mulher,a beleza é uma bênção e ser amada,outra; e tudo isso parece mais brilhante se esse amor vier de um grande homem, poderoso,digno de ser admirado. 

   Muitas beldades cuja formosura era acompanhada de inteligência e distinção viram assim o seu nome gravado nas páginas mais fascinantes da História. Porém, nenhuma destas coisas garante felicidade. Antes pelo contrário: tudo o que luz parece, por vezes, ter um preço demasiado alto ou carregar consigo uma maldição.

Roxana, mulher de Alexandre, o Grande; Ana Bolena, Madame du Barry e muitas outras pagaram com a vida, directa ou indirectamente, a sua ligação a homens no poder.

Depois houve aquelas cuja história teve um desfecho menos dramático, que conseguiram conservar certa respeitabilidade e acabar os seus dias de forma aparentemente confortável, mas... com quantos desgostos!

Soraya, a deslumbrante "Imperatriz" dos olhos tristes, é um exemplo recente; mas dela se falará noutra ocasião.

Quando se pensa em "mulher adorada" poucos rostos são mais imediatos que o de Josefina Beauharnais, a amada de Napoleão Bonaparte e Imperatriz de França.


Ainda menina, uma criada na sua Martinica natal, que tinha algo de bruxa, predissera que ela viria a ser "mais do que rainha". Quando Napoleão a conheceu, ele era um ambicioso general de 26 anos e ela uma perturbante viúva de 33, em apuros para sustentar dois filhos do defunto Visconde seu marido, vítima da Revolução Francesa. 
   Napoleão amou-a à primeira vista, ela nem tanto; ele pretendia uma posse completa, absoluta, da sua pessoa: não permitia mesmo que ela usasse o nome de baptismo, Rose, pois outros homens antes dele a tinham chamado assim: como o nome do meio da amada era Joseph, ele passou a chamá-la Josephine, criando-lhe uma nova identidade, moldando-a ao seu gosto e aspirações. 

    Mas Josephine não parecia impressionada: nos primeiros anos o apaixonado general sofreu todas as leviandades da caprichosa crioula. Não só lhe adoptou os filhos, que tratava com todo o desvelo, como à medida que conquistava o mundo em numerosas campanhas punha aos mimosos pés da amada todos as honras e luxos;  tudo isto ela pagava com certo descaso, ignorando as cartas em que ele suplicava que ela viesse juntar-se a ele como competia a uma esposa dedicada, humilhando-o com numerosos flirts e namoricos. Para se escusar a reunir-se ao marido, Josefina chegou a inventar o pretexto de uma gravidez. O pobre Napoleão não foi poupado a nenhuma das desilusões e tormentos temidos pelos amantes dedicados...


 

Tudo lhe sofreu pelo amor que lhe tinha, paixão que fazia o grande homem, que comandava exércitos sem pestanejar, implorar por um pouco de afecto. Era como se ela não percebesse o que realmente sentia por ele - como tudo o que é dado de bandeja nesta vida. A situação só se alterou quando Napoleão perdeu a paciência e a tratou do mesmo modo que aos seus soldados:

"Já não te amo: ao contrário, detesto-te. És uma desgraçada, verdadeiramente perversa, verdadeiramente tola, uma verdadeira Cinderela."


Mostrou-lhe o aço de que era feito, recusou-se a abrir a porta à esposa desmiolada e foram precisas muitas lágrimas de Josefina e muitos rogos dos filhos ao padrasto para que ele cedesse. Caíram nos braços um do outro e a partir daí, foi Josefina que passou a sofrer com ciúmes.

Ainda assim, ele proclamou-a Imperatriz. Seria a mulher mais influente do Primeiro Império durante cinco anos. Napoleão só a deixaria em 1809, para casar com Maria Luísa da Áustria, mantendo Josefina o título de Imperatriz. 

Ambos de coração partido, ele tentou secar-lhe as lágrimas, dizendo-lhe "amo-te e amar-te-ei sempre, mas a política não tem coração, apenas cabeça". O sacrifício foi vão, porém; após o repúdio da amada, a boa estrela de Napoleão não brilharia muito mais tempo: e já no exílio, Josefina é a única que não o abandona, que lhe escreve cartas propondo-lhe juntar-se a ele na Ilha de Elba. Napoleão recusou, esperando que a segunda mulher tivesse ideia igual: sem êxito.

Josefina morreu entretanto, ainda bela; as suas últimas palavras foram para ele.

Claro que para que beleza e amor resultem em felicidade, principalmente quando se trata do amor de um homem poderoso, ser virtuosa é uma grande ajuda; no caso de Josefina, poderemos pensar se ter sido estouvada não terá, a longo prazo, ajudado a abrir brechas na relação; mas por vezes, nem a virtude garante nada. Foi o caso de Maria Fitzherbert, esposa do futuro Jorge IV de Inglaterra: por amor do desmiolado príncipe a boa senhora muito sofreu, sempre com grande dignidade. 

 (CONTINUA...)




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