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Sunday, July 27, 2014

Os homens detestam histeria, confusão e demasiada informação.




Por estes dias comentou-se, a propósito da redecoração que vos contei, que era melhor "ter tudo pronto antes que o senhor mano chegasse a casa, para ele não ver tanta confusão - senão, ele vai julgar que estamos nas obras de Santa Engrácia e ficar todo aflito".
 Isto é um bocadinho contraditório - afinal, um homem tem mais força para carregar/arrastar coisas e dois braços a mais dão sempre jeito - mas tem a sua razão de ser.

Muitas vezes as mulheres não percebem, ou demoram anos a perceber, uma grande verdade sobre o sexo oposto: os homens não lidam bem com a barafunda. E quem diz barafunda diz agitação, nervoso miudinho, histeria, confusão e muita coisa a suceder ao mesmo tempo. Ou seja, se uma mulher age como uma barata tonta, um cavalheiro das duas uma: ou tem presença de espírito para pôr fim ao pandemónio logo ali (e a melhor bênção para uma mulher é um homem de feitio firme, mas sereno) ou se for de natureza algo nervosa, fica mais barata tonta do que ela. 

  Esta aversão a barafundas, barulhos e pandemónios tem algo a ver com o cérebro deles, que não consegue processar muita informação em simultâneo. Como é que se desembaraçaram na guerra por séculos é coisa que me escapa já que poucas coisas devem ser tão desnorteantes como um campo de batalha... mas pronto,sigo a minha teoria baseada no que tenho visto.

É sabido que uma mulher consegue ter um olho no burro, outro no cigano (um livro numa mão, o telefone na  outra e vigiar um bolo no forno sem pestanejar, por exemplo) enquanto um homem até é capaz de ser mais metódico, mas só faz uma coisa - duas, no máximo- ao mesmo tempo. Mais do que isso eles não acompanham, coitados.

  Por isso, é melhor colocá-los perante os factos consumados do que deixá-los acompanhar o processo todo (been there, done that)

Isto vale tanto para aspectos emocionais como para os puramente práticos: se foi às compras, não deixe os homens da casa (cara metade, pai, irmãos...) ver os sacos todos juntos. É certo que só trouxe um vestido, um par de sapatos, umas quantas toalhas para a casa de banho e alguns frascos de champô, mas eles vão entrar em pânico e começar a refilar "onde é que vai caber tanta tralha? Já não há vestidos de sobra?". 

Ná: o melhor é aparecer linda e airosa com o vestido novo e esperar as reacções (ou não) e pôr as toalhas em uso. Assim como assim eles não ligam  muito a essas coisas, a não ser que fiquem sem toalha e sem champô na hora H ou coisa semelhante.

 Se algo a irrita, mesmo que não seja nada de pessoal (a colega que é chata, um mexerico que ouviu) e tem mesmo que o transmitir a um ente do sexo masculino, ou se precisa de se queixar de alguma coisa, faça-o com o ar mais impassível deste mundo: se mostrar que o assunto a perturba, o pobre coitado vai entrar em modo defensivo, pensar que se prepara alguma embrulhada ou que algo de grave se passa. 

Eles não entendem muito palavreado: são mais sensíveis a acções e a factos. Por muito que gostem de nos proteger e acalmar, isso torna-se um bocadinho difícil se uma mulher está tão fora de si que não se percebe patavina daquilo que ela diz. E basta falar um bocadinho mais depressa para que eles já não percebam! A histeria é totalmente de evitar, até porque muitos pensam  abertamente que as mulheres são malucas, por muito que gostem delas. É triste mas é verdade; convém não lhes dar argumentos. 

 As mulheres do tempo da outra senhora eram exímias nesta psicologia: para já, tratavam ( uma vez que não tinham outra actividade)  de criar um ambiente acolhedor em casa; depois, sempre que possível falavam-lhes com calma, baixinho, serenamente, sem exaltações nem chiliques, que é a única linguagem que eles entendem.

 Quem teve irmãos e primos perceberá mais facilmente que os rapazes se levam melhor por bem e com calma: se disserem a um homem, com agressividade, que se mexa e avie e deixe de ser lesma porque lhe fizeram o prato preferido e está na mesa a arrefecer, é capaz de não ligar nenhuma ou ignorar a informação pertinente para reagir, todo ofendido "olhem como ela me falou!" mas se lhe pedirem com jeitinho que vá ao fim do mundo buscar isto ou aquilo, até é capaz de ceder. 

 Claro que nem sempre há paciência para empregar tão boas estratégias, mas por mais que o mundo mude eles ainda esperam encontrar um porto seguro nas suas mulheres, mães, filhas e irmãs. Não custa nada ser doce e feminina, porque quando eles começam a barafustar...são piores que as mulheres. Ficam com uma ideia na cabeça e nunca mais se calam com o assunto...





1 comment:

Sandra Marques de Paiva said...

Não podia estar mais de acordo :)

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