Recomenda-se:

Netscope

Wednesday, July 2, 2014

Parábola do dia: e não sabendo que era impossível, chegou lá e fez.


Para abastecer a despensa cá de casa costumo correr várias capelinhas, porque não há nenhum sítio que venda tudo o que eu quero: Sissi, a fada do lar.

 Fruta, peixe e vegetais convém que seja no mercado;os ovos compro-os biológicos e de pato a uma vizinha que tem uma quinta ; as coisas de todos os dias vêm do Pingo Doce, principalmente o sumo de frutos tropicais, o salame (que é excelente) as compotas, queijo de cabra fresco e alguma pastelaria; além disso é mais pequeno, o que diminui a canseira.

As compras hardcore, incluindo tralhas de limpeza e higiene, é em casa do tio Belmiro porque sempre se espreita as bugigangas na Well,s e o cartão Continente acaba por dar jeito, quanto mais não seja para comprar disparates sem grande remorso; de lá e  do Jumbo (onde também costumam fazer umas promoções malucas e há uns mini éclairs fantásticos) trago as cápsulas de café, porque, já o disse algures, acho a loja pseudo chic das cápsulas um bocadinho sinistra, com ar de seita.

 O Supercor é muito bom para conservas, carne, peixe, cebola desidratada à sueca, artigos para sushi, ovas para fazer pasta caviale e alguns petiscos, como cheese cake de chocolate ou empadas de pato . Volta não volta vou de propósito ao Lidl por causa dos produtos asiáticos, do ananás aos cubinhos e das salsichas alemãs que não há iguais em parte nenhuma (havia mais produtos que comprava lá, mas a maior parte foi descontinuada porque não há respeito pelo consumidor...) e do Mini Preço gosto muitíssimo de umas bolachas- crepe de chocolate preto, do queijo burgos e do sumo de laranja natural, que é muito mais barato do que nos outros sítios. 

 Ora, hoje passei por este último de propósito para ir buscar isso mesmo, quase à hora de fechar. Quando terminei de pagar as compras já as caixas estavam encerradas e os clientes dirigiam-se para a porta, que neste Minipreço (o mais antigo da cidade) não é automática.

 Fiquei  admirada por ver várias pessoas paradas a olhar para a porta, com ar de pasmadas. Julguei que os empregados já a tivessem fechado à chave e que aquela romaria toda aguardasse que alguém viesse abri-la para poder ir à sua vida.

 Mas ao mesmo tempo pareceu-me estranho que trancassem assim a saída, com clientes dentro da loja. Sentindo-me um bocado estúpida - afinal, alguém já devia ter experimentado ver se a porta abria - passei à frente e dei a volta à maçaneta. E zás, abre-te Sésamo, só estava fechada ao trinco. Ouviu-se um suspiro colectivo de alívio e começaram todos a sair apressadamente.

 Este episódio tão insignificante deu-me que pensar nos milhões de almas que andam a penar por este mundo, paradas à frente de portas da vida que nem sequer experimentam abrir. Só porque lhes parecem fechadas, ou o vizinho do lado que também não tentou acha que a saída está trancada, não se atrevem a ver pelos próprios olhos com medo de fazer figura de ursos.
 E amontoam-se todos a ver, à espera que aconteça alguma coisa, a empatar o trânsito, num verdadeiro atraso de vida...vai-se a ver tenho uma mentalidade vencedora, uma mente milionária.

 Vou começar a pensar no meu próprio show motivacional: vença na vida com as parvoeiras da Sissi. Mas tinha de alugar o jardim zoológico para esse mega espectáculo tão inspirador: o Pavilhão Atlântico é pequeno demais, e além disso parece-me um bocado sinistro, bom para vender batidos e cápsulas de café...




2 comments:

Sandra Marques de Paiva said...

hahahahaaha. Demais. Mas digo-te uma coisa, isso de andar nessas capelinhas todas é uma canseira.

Carla Isabel Mendes said...

Também tenho o hábito de correr várias capelinhas :) por sorte ficam todas aqui á porta de casa ^.^

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...