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Tuesday, July 1, 2014

Pouca -terra, pouca-terra, uma ova.


Gosto muito de passear, mas confesso que sou esquisitinha com os meios de transporte (e com quaisquer meios/recursos/companhias envolvidos na viagem, de resto). 

 Ando ansiosa para que inventem as viagens no tempo, mas se o meio para fazer isso for desconfortável acho que me fico por metade das épocas que gostaria de visitar.

Por mim teleportar-me era o ideal, desde que isso incluísse teleportar a bagagem também. 

   Conduzir não me agrada lá muito e não gosto dos camiões TIR que andam na estrada (se algum camionista me lê tenha a bondade de me desculpar, mas há colegas seus que já me pregaram cada susto!) voar enfim, tolera-se, se cair caiu e como já estou no ar mais depressa chego ao céu mas estar fechada numa lata tanto tempo e com a pressão atmosférica nos ouvidos é uma penitência sem tamanho; barcos desde que não dancem muito para eu não enjoar ainda vá que não vá...tudo por uma boa causa.

 Mas quando tenho de andar de comboio sinto-me mesmo um bocadinho infeliz. O facto de a minha cidade ter uma estação que mais parece o Faroeste pode ter contribuído para o trauma. Agora que falo nisto, lembrei-me que - tinha eu uns dois ou três anos - estava eu em Coimbra-B, subi para um carrinho de transporte de bagagens e caí de cara no chão, chorei que me fartei. Noutra ocasião, era eu bebé de meses, o carro onde seguíamos (um mini encarnado muito giro) parou no meio da linha com o comboio a aproximar-se. É para gostar de comboios? I don´t think so. 

  Para piorar tudo, aquela gente toda a embarcar lembra-me os filmes da Segunda Guerra Mundial.

 Mas se fosse só isso era uma questão de controlar a minha imaginação galopante e problema resolvido. O pior é que não é. Os comboios de hoje são mesmo desconfortáveis, pronto. E tudo o que se relaciona com eles, idem: Santa Apolónia, por exemplo,  é uma estação com a sua piada, mas a distância da Linha 2 à porta sem um carrinho para empurrar malas que se veja é de morrer a rir. E as filas para comprar bilhete em qualquer parte? Ou se vai com bastante antecedência, ou é impróprio para cardíacos. Não sei  que fizeram às maquinetas de moedas que antes havia e que há em outros países e já desisti de perguntar.

Noutro tempo valia a pena viajar de comboio- havia cabines privadas e camarotes. Hoje, a não ser que se vá no ressuscitado Expresso do Oriente (e os meus afazeres nem sempre passam por essas bandas tão longínquas) ou naqueles comboios cor de rosa que vão para França (não sei como se chamam, não me apeteceu procurar e quase tenho raiva de quem sabe) ou coisa semelhante, nem em primeira classe se adianta grande coisa.

Senão, vejam: o Alfa abana que se farta. Fico sempre enjoada. 

Já me disseram que isso tem não sei quê a ver com o facto de as nossas linhas não estarem preparadas para uma locomotiva tão sofisticada, mas isso não é problema meu nem quero saber de desculpas. Uma vez o comboio ia deitado, juro: parecia uma atracção de feira daquelas radicais. Julguei que a seguir ia virar de cangalhas como na montanha russa.  

A única vantagem em relação ao modesto Intercidades é que para passar entre as carruagens não é preciso empurrar aquelas portas medonhas que exigem comer um bife com ovos antes (e tentar abrir aquela porcaria com bagagem na mão e saltos altos? Bom para artistas de circo!): há um botãozinho. 

 De resto, em termos de corredores apertadíssimos, bancos que não quero imaginar o que é ser um gordo e andar de comboio, carruagens que nunca se sabe quais são e funcionários que ou não existem (ou quando existem são incapazes de dar uma ajuda nem que vejam uma senhora ou uma velhinha carregada) casas de banho minúsculas quando não empestam, ar condicionado que ora funciona ora não, falta de espaço entre vizinhos do lado, ausência de uma bendita tomada onde carregar telemóveis ( serve-me de muito que tenham Wi-Fi, seus palermas) e outras maravilhas, estamos conversados. Isto pela módica quantia de cerca de 40 euros ida e volta, sem direito a uma bebida incluída nem nada. Uma simpatia...

 E é dar muitas graças a Deus se chegarem a tempo e horas, ou se não nos calhar um banco virado ao contrário, que ainda estou para saber para que serve tal coisa, a não ser para purificar as almas pecadoras e fazer purgas . Não sou engenheira, mas não podiam pôr umas roldanas que virassem os assentos automaticamente conforme o sentido em que vai o comboio? Das duas uma: ou  descobri aqui a pólvora, ou estou a dizer uma parvoeira monumental. Caso se dê a segunda hipótese, estou perdoada: tenho os neurónios sacudidos por tanta pouca terra...



2 comments:

Sérgio S said...

Pronto... Acabei de entrar para o comboio que me há-de levar de Beja a Lisboa. Beijos.

Carla Isabel Mendes said...

Aiii jasus lembra-me as ultimas vezes que andei de comboio , se pensava que o 1º era mau quando tive de mudar para o 2º aquilo era um pica piedra do século passado , que dor de costas e de traseiro :( um trauma.

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