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Wednesday, August 20, 2014

Confúcio dixit: sejamos honestos, mas delicados.


A honestidade costuma ser a melhor política: primeiro, porque *quase* sempre é a forma correcta e ética de agir; segundo, porque não obriga a inventar ardis cansativos, arriscados e tão prejudiciais a quem os conta como a quem os ouve. Quem é, em essência, sincero, franco e honesto, ganha o respeito da maioria (da maioria, porque nem o maior dos santos agrada a todos) garante uma reputação de confiança e acima de tudo, tem essa grande felicidade que é a paz de espírito. Se lhe vierem perguntar "disseste assim, fizeste assado?" a pessoa honesta responderá, cheia de verdade, que sim ou que não; e ainda que seja injustamente acusada, a sua boa fama e os factos acabarão, cedo ou tarde, por falar mais alto.

Já uma pessoa dada a manhas, a dissimulações, a levar dali e a trazer de acolá, a teorias da conspiração e a mexericos... ainda que possa agir de forma bem intencionada uma vez por outra, não terá o mesmo crédito.

 Porém, a honestidade pura e simples, a franqueza sem decoro, em estado bruto, nem sempre é boa ideia (daí o "quase"): há muito quem diga barbaridades que deixam as pessoas desconcertadas ou magoadas e se desculpe com "quem diz a verdade não merece castigo". Castigo não merecerá, mas um bom puxão de orelhas não digo que não. 

Até porque é preciso apurar bem a verdade antes de lhe chamar tal coisa: há que não confundir "verdade" com rumor ou opinião. Se não temos a certeza, fiquemos caladinhos.

  Viver em sociedade obriga-nos a ter em conta os sentimentos alheios e por isso, a guardar para nós, por decoro e delicadeza, algumas impressões. Uma das primeiras coisas que se ensina às crianças é "não se aponta" e "não se diz às pessoas que elas são isto ou aquilo", para lhes temperar a sinceridade natural, que pode ser embaraçosa.

 E não é bom esquecer esta lição depois de adulto, pensando que já não é preciso ter esse cuidado, ou ignorar estes preceitos básicos em nome de um cinismo elegante e forma blasé de estar: duas coisas que, tal como a sinceridade, são desejáveis mas com conta, peso e medida.
  
 O excesso de franqueza só deve empregar-se em casos extremos, perante indivíduos desagradáveis que abusam do excesso de delicadeza alheia e não compreendem "toques" mais subtis, ou quando uma pessoa das nossas relações vai por um mau caminho e não quer acordar por mais que a avisem. 

 Por exemplo, se uma amiga engordou muito e insiste em usar a roupa que lhe ficava bem quando vestia 4 números a menos, se calhar é imperativo dizer alguma coisa - porém, sempre com tacto e sobretudo, em privado. Há que transformar a velha máxima "se não tiver nada de agradável para dizer, remeta-se ao silêncio" em " se tiver algo de desagradável a dizer, faça-o discretamente".

É claro que se declararmos à pessoa "mas que balofa que a não sei quantas está!" em público, não estamos a contar uma mentira...mas somos condenados pela indelicadeza.

 Se alguém nos incomoda, as regras de bem viver criaram uma série de formas de travar esses abusos sem fazer cenas que divertem a assistência e mortificam os envolvidos. Por vezes não se deve confrontar e sim desviar. Não por cobardia, mas por educação.

Em todos os casos há formas de dizer as coisas, porque a verdade tem sempre vários ângulos e podemos usar o menos afiado, no lugar certo e à hora certa. Nem sempre se evitará o melindre (porque certas verdades custam mesmo a ouvir) mas controlam-se danos escusados...







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