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Friday, August 22, 2014

Diana King dixit: ode ao rapaz tímido



I don't want no fly guy
I just want a shy guy

But I don't want somebody
Who's loving everybody
I need a shy guy
He's the kinda guy who'll only be mine

Oh Lord have mercy, mercy, mercy...


Há dias ouvi esta canção velhinha na rádio e não consegui que saísse da minha cabeça (cantiga mais orelhuda, não admira que se tornasse um êxito). 
 Em boa verdade a melodia de "Shy Guy" nunca foi das minhas preferidas mas sempre me agradou a letra, porque foca um aspecto dos relacionamentos que é pouco visado nestas coisas: o homem ideal é, segundo a cantora, um rapaz tímido; aquele que "não ama toda a gente", que é discreto, fica num cantinho (às vezes por tempo demais) e que se dedica inteiramente a uma mulher só. O fanfarrão muito dado, muito pretendido, muito concorrido e popular  pode ter a sua graça ao longe, socialmente; pode ser excelente como amigo (conheço alguns assim e são boas pessoas lá ao seu modo) mas não é para levar a sério.

   Desengane-se porém quem pensa que o homem tímido é aquele que tem poucas qualidades vistosas ou nenhumas características Alfa, biologicamente falando .

 Existe muito quem - ou por ser selectivo, ou por discrição, ou por razões morais, ou por insegurança - tenha todas as características para se portar como um pavão e não o faça. E isso é sempre encantador. 

É verdade que uma mulher tradicional não atura homens que esperam que ela tome a iniciativa... mas por outro lado,  também não gosta de gente atrevida. Um homem deve ser discreto e sério.


Tão sossegadinho!

Pode parecer um paradoxo, mas alguns dos exemplares masculinos mais decentes e reservados com quem me tenho cruzado têm  as qualidades típicas do Alfa (beleza, porte, meio, recursos) sem que ajam como engatatões ou toleirões. Talvez porque nunca precisaram de se esforçar muito, talvez porque receberam uma educação como deve ser ou ainda porque muitas vezes a beleza, a riqueza e o sucesso caminham de mãos dadas com a inteligência e a modéstia. 

 Um deles está casado com uma das minhas melhores amigas e apesar de ter uma figura de capa de revista, sente um horror tal a comportamentos menos correctos que ninguém precisa de se preocupar com ele. Outro (não vou dizer nomes, claro) é um dos actores mais belos e conhecidos da nossa praça; um verdadeiro deus grego na aparência mas com tanta vida interior que não tem tempo para pensar em tais parvoíces. É daqueles que se apaixonam assim, à primeira vista, e lá ficam, imunes a quaisquer solicitações. E outros ainda, que não vou citar por falta de espaço, mas cuja amostra me permite dizer: escolham o rapaz tímido, porque esse raramente se apaixona mas quando apaixona é a sério.




Lá diz o povo, "quem é amigo de todos não é amigo de ninguém" - só quem é selectivo e se resguarda tem tempo para cimentar afectos e lealdades. E quem ama todos, não pode amar ninguém.

  Nos meus tempos de liceu, muitas raparigas detestavam os rapazes "convencidos" -ou seja, os introvertidos que calhava serem bonitinhos e que não davam conversa ao "posso-te conhecer?" de desmioladas. 

Eu nada tinha contra supostos convencidos, desde que fossem caladinhos. Só havia perigo nos que eram convencidos E fanfarrões, que agiam como se fossem o máximo e pouco tinham para além da basófia.


Demasiada confusão.


 Eu percebia os "convencidos" porque sempre gostei do meu canto.

 Está certo que nos dias que correm, em que as mulheres habituaram mal o sexo oposto com atitudes descaradas que inverteram os papéis, um rapaz tímido pode levar o acanhamento longe demais e demorar séculos a explicar-se ou procurar mil subterfúgios para isso- principalmente se o alvo dos seus afectos é uma rapariga mais à moda antiga, que espera que seja ele a desenrolar o novelo. 



Pode ter atitudes contraditórias, às vezes. Mas vale a pena porque sendo tão sossegado, está mais em contacto com a sua voz interior, logo  sabe instintivamente o que quer. Não toma passos maiores do que a perna, não exige as coisas para ontem (mesmo que no seu coração já saiba o que pretende)  por isso dá tempo e espaço para conhecer a alma antes de avançar sobre tudo o resto; conhece o seu lugar e respeita o dos outros; e como se dedica a pouca gente, tem ocasião e meios para valorizar quem escolhe para o seu círculo íntimo.

 Os que dizem tudo o que uma mulher quer ouvir, os que avançam demasiado rápido, que são muito solidários e queridinhos, que falam muitíssimo (sobre tudo, mas principalmente de si próprios) que prometem mundos e fundos, que são muito sociáveis e têm milhares de amigos no Facebook e centenas cá fora, que cumprimentam meio mundo na rua e tratam tutti quanti pelo nome...esses hiperactivos, esses bonacheirões...é preciso levá-los tão a sério como eles levam as pessoas na sua vida, ou seja, acenar-lhes de longe. 

  Afinal, nenhuma pessoa exigente gosta daquilo que é demasiado acessível...logo, o homem "loving everybody" não lhe serve. 

Oh Lord have mercy, mercy, mercy...

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