Recomenda-se:

Netscope

Saturday, August 2, 2014

Isto explica muita coisa, só pode.


Nos bancos da escola eu era uma grande fã de alguns animes, em especial Os Cavaleiros do Zodíaco - não olhem para mim de lado, já vos contei que era uma mistura estranha entre nerd/rato de biblioteca e fashionista de carteirinha. 
  Enquanto as minhas colegas sonhavam com boysbands, eu preferia dedicar afeições a personagens históricas (como vos disse por estes dias)  ou de ficção. Ao menos não corria o risco de me desiludir, porque tais cavalheiros ou não existiam ou já tinham morrido todos.

    Podia idealizá-los à vontade porque as asneiras que tivessem feito estavam todas douradas pelo pó estelar da História ou explicadinhas nos livros; não havia que ter medo de tão augustas pessoas, reais ou inventadas, serem apanhadas a fazer coisas grosseiras do estilo aparecerem num bar de kizomba com uma strippper brasileira, baterem nos papparazzi (algo que eu imagino Cesar Borgia a fazer sem problemas, mas enfim) ou tomarem más opções de carreira, acabando num reality show qualquer ("Keeping up with the Medici" havia de ser lindo!).


Mas havia um lado preocupante nisto tudo: é que eu raramente torcia pelos heróis bonzinhos. A minha devoção ia quase sempre para o vilão ou no mínimo, para o anti -herói. Ok, geralmente vestiam melhor e eram traçados mais bonitos, mas isso não esclarece tudo. É que coitadinhos, quase sempre tinham um trauma qualquer que justificava o seu comportamento desviante, eram assim para o misterioso, mostravam um lado vulnerável por trás de todo o seu poder, eram uns incompreendidos. Eu nunca gostei de coisas óbvias nem popularuchas - o rapaz  muito disputado, amigo do seu amigo, estimado e requisitado na comunidade sempre me maçou de morte e parecia-me um hipócrita de primeira. 


 Os galãs, os D. Juans estilo James Bond, esses davam-me a volta ao estômago porque  detesto multidões e concorrência. Que me restava? Os bad boys, claro. Esses não davam confiança a *praticamente* ninguém. Tal como com uma fera enjaulada, era preciso ter algo de especial para querer aproximar-se deles, e para que eles deixassem que alguém se aproximasse - exactamente como eu. Nunca tive ambições de dominar o mundo mas essa parte eu percebia perfeitamente. No caso dos Cavaleiros do Zodíaco, tinha dois preferidos: um era o Cavaleiro da Fénix (rezingão, lobo solitário, fiel à memória da mulher amada, rebelde mas no fundo bom rapaz e com o poder de deitar fogo às coisas quando se aborrecia). Detestava andar em grupo ou ir com a carneirada e eu achava a maior das graças a isso.


Depois havia Lord Saga, o Cavaleiro de Ouro de Gémeos - mesmo que não conheçam a história de lado nenhum porque anime e mitologia não são o vosso cup of tea, pelo nome já se percebe que era assim um grande senhor. 


Ora Saga (bonito e grandioso como um Deus,  nobre, puro e assim por diante) vinha com um probleminha: sofria de dupla personalidade.
 Quando estava bem, era muito bom e muito lindo; quando era atacado pelo seu alter ego, bem...entrava em modo Mr.Hyde e era um fartar vilanagem de calamidades, a começar pelo seu golpe fatal, a Explosão Galáctica. Não olhava atrás nem adiante: tipo, "na guerra só há um vencedor: eu!!! E não olho a meios!" . Levava tudo à frente.

 Matou quem foi preciso matar para chegar a Pontifex Maximus (para se sentar no trono, vá) tentava destruir tudo o que lhe era querido e nos seus momentos de lucidez, arrependia-se e ficava todo desesperado.
   Eu achava-lhe graça porque enfim, tinha pena dele, que desperdício...e porque nunca se sabia o que esperar dali: a pena e a curiosidade são um grande mal das mulheres.

  Mas na vida real o caso é outro: há coisas que numa personagem se desculpam e numa criatura de carne e osso não se aturam. Embora um certo mistério tenha a sua graça e continue a desprezar pessoas estilo  Manuel dos Plásticos, que gostam de toda a gente e procuram a aprovação de todo o mundo, é bom saber com o que se conta.

 Pessoas que num momento estão pelos pés, noutro pela cabeça; que num dia são adoráveis e noutras uns autênticos filhotes de Cruz -Credo, que às seis da manhã nos adoram e às seis da tarde conspiram para nos arreliar e depois se arrependem...bom, isso é assustador.

 E por qualquer razão, "personagens" dessas tendem a saltar ao caminho. Começo a crer naquela lei da atracção que diz que as coisas a que prestamos atenção se materializam. 

 Bem que me avisavam em casa para ver menos desenhos animados. Uffff.





1 comment:

Urso Misha said...

que grandes desenhos animados, quanto ao post abstenho-me!
um sim à história e mitologia :D

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...