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Monday, August 4, 2014

Momento National Geographic: só no Correio da Manhã.



As "meninas da página 3" existem um pouco por todo o lado há muitos anos, mas tenho para mim que por estas bandas, olá...nem o Brasil nos leva a palma em descalabro. Já avisava Eça de Queiroz: em Portugal, copiam-se e exageram-se as modas até à caricatura.

 Vi isto na padaria (diz muito de nós que jornais com tais conteúdos sejam deixados assim ao Deus-dará e ao alcance das crianças para lhes corromper as ideias) e tive de registar a imagem, fazendo a óbvia censura ao resto do figurino porque isto de conceder na descida de padrões é um bocadinho um dia, mais um bocadinho noutro e daí ao desconchavo completo não custa nada. 

   Nem reparei em que página estava, mas chamemos-lhe página 3 porque é a página-em-que-as-leitoras-mais-atrevidas-ganham-cinco-minutos-de-fama-antes-de-acabar-a-forrar-estantes-de-batatas.
  De qualquer forma nem preciso de mostrar o resto, pois 
adivinha-se...interessa-me apenas traçar a relação (que urge os antroplólogos estudarem) entre brejeirice (ou ousadia, como agora se chama) e todos os clichés da aldeola ou do subúrbio.

 É que reparem, a protagonista em causa (com a maioria das suas irmãs de jornal) é dotada de todas as características que identificam, de imediato, um certo género.

Por certo género, entendam-se as  nativas dos salões de nails do bairro, das discotecas de kizomba e danças latinas, dos retratos indecentes com 500 likes no Facebook, das boutiques de esquina onde se vende uma quantidade impressionante de vestidos de lycra e nas quais a dona adora dizer "o que é bom é para se ver" e bizarrias do género (a ver se impinge mais um modelito para a Senhora Felismina da mercearia oferecer à filha, a Silvaninha Carina, que é uma rapariga muito prendada, rainha da bachata, estudante nas horas vagas e exímia a colocar extensões de cabelo) do tuning e dos ginásios manhosos onde se faz tudo - aumentar glúteos, expandir coxas até ao infinito, ter casos com o Carlão e o Tójó - menos secar gordurinhas e melhorar a postura. 

 Cabelo preto graxa? Check! 

Brincos gigantescos e bijutaria que Deus a dá? Check!

Makeup em três passos que consiste em eyeliner estilo Cleópatra alcoolizada, base escuríssima e bâton cor de zombie? Check

Não sei como as universidades não se debruçam sobre isto -  um estudo sociológico era o mínimo - mas como sou um amor dou já umas pistas: estes visuais, estes comportamentos, são uma mistura entre influências brasileiras da favela e padrões estéticos dos guetos americanos que de repente ficaram mainstream, estilo Jersey Shore ou este pavor aqui. Ou seja, tudo coisas muito edificantes para as raparigas portuguesas...

 Mas a cereja em cima do bolo vem com o discurso muito humilde e muito ingénuo da rapariguinha, benza-a Deus:



"Os homens metem-se muito comigo, tenho o meu valor". Ora aí está um discurso de muito valor, que eu não sabia que o valor de uma mulher se media assim, às primeiras vistas e consoante o tamanhinho da saia ou o diâmetro da perna. Nem sonhava que os caramelos que atiram piropos na rua eram assim dotados de poderes telepáticos, que conseguem avaliar uma mulher de valor apesar de ela estar vestida como uma boneca de feira. Muito me ensina o Correio da Manhã. E esta?





4 comments:

Ulisses L said...

HAHAHAHAHAHAHAHA

Nem calculas o que me fizeste rir agora...

(...e ainda bem que os meus fígados estavam um bocado estragados!)

Tens toda a razão! Estes exemplares do género feminino deixam-me a pensar que meio quilo de cérebro faz, inevitavelmente, toda a diferença!
Faz-me lembrar um filme que vi há uns tempos (do qual não recordo o nome - sorry) em que um tipo que nem sequer é muito brilhante é conegelado, sem querer, nos nossos dias, e acorda 500 anos depois para um mundo completamente recheado de idiotas, o que faz dele, de repente, o tipo mais inteligente do mundo!
Segundo o filme, a maneira como estava o mundo era o resultado do facto de os idiotas se reproduzirem que nem coelhos, enquanto que as pessoas de Q.I. superior terem cada vez menos filhos, tendo o tempo e a genética feito o resto.
O filme é hilariante, mas, ao mesmo tempo, quando olho para exemplos destes, não sei até que ponto não estaremos a caminhar para lá...

:)

(P.S. - Já ando para te dizer isto há uns tempos, mas fazes-me lembrar a Tori Amos! :D)

A Bomboca Mais Gostosa said...

Minha nossa, até me engasguei, tanta sensualidade e eloquência junta, é muita classe. Não sei se aguento!

Sandra Marques de Paiva said...

hahahahahahahaha. Se isso só se visse no jornal.... terror, terror, é cruzar-nos com elas na rua.

Imperatriz Sissi said...

@Ulisses: obrigada! É sempre bom saber que faço rir quem aqui passa :D. Mas se for como dizes, estamos bem arranjados: não só os burrinhos vão dominar, como a predominância genética será de traços grosseiros, traseiros gigantes e tendência a pôr muito gel no cabelo. Deus nos defenda. Quanto àTori, obrigada...gosto muito dela. Isto as raparigas de sangue celta todas se parecem um bocadito, creio.

@Bomboca: ahhahhahahahha

@Sandra, bem dito. Eu própria só conhecia tais espécimes do jornal até ter contactado indirectamente com tal realidade. Juro que há quem considere isto normal e até atraente, e se desculpe com "padrões estéticos diferentes". Não tem nada de estético, é sórdido e basta.

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