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Thursday, August 28, 2014

Mulherzinhas com a mania que mandam. Também conhecidas por Rainhas do Sabá.

Ai filha, que eu aqui  não mando nada!

Há-as em todo o lado. Em empresas, em escolas, em hotéis (caso que acaba de inspirar este post) em grupos de amigos, na política, nos condomínios, nas Sacristias, nas organizações e nas famílias (quando têm família que as ature).
E reconhecem-se imediatamente: vá-se lá saber porquê costumam ser assim para o anafado ou magríssimas; muito raramente são bonitas, elegantes ou refinadas (o que pode explicar muita coisa) embora gostem de se arranjar lá à sua maneira, geralmente espampanante e de meter medo (muita maquilhagem, cabelo muito armado ou muito preto, etc, etc) para "fazer de ver" que são alguém na vida. 

     Uma Rainha do Sabá nunca manda efectivamente em nada mas ou porque já mandou qualquer coisita (muitas chefes de secretaria tornam-se Rainhas do Sabá após a reforma e vão mandar no prédio, na parentela ou no beatério) ou porque nunca mandou mas gostava de ter mandado, arvora sempre ares de grande sabedoria e autoridade.
 Uma Rainha do Sabá é impressionante porque tem sempre ALGUMA COISA a dizer: uma opinião que ninguém lhe encomendou, um debatezinho, uma acha, uma pergunta chata, uma informação para complicar, uma exigenciazita. Acha sempre alguma coisa, mas acha principalmente que vê tudo e sabe tudo e que tudo deve passar pelo seu douto parecer, mesmo que tenha chegado de novo ao prédio, ao grupo, à empresa, ao clube, à quermesse, ao que seja. 


Uma Rainha do Sabá pensa que é um Júlio César de saias: veni, vidi, vici e a sua frase preferida "quem manda sou eu". Nunca relaxa, nunca se cala, nunca se coloca no seu lugar nem deixa estar os outros, impõe invariavelmente a sua presença e a sua posta de pescada. A única pessoa que lhe merece graxa é o chefe (ou quem faça tal papel) mas se o dito cujo for molengão, bonzito, nem ele escapa. Se calha o prodígio de ser casada, manda no marido; se calha ter um chefe mais plácido, manda nele também.

 Nunca vi nenhuma que fosse inteligente - normalmente só lhe saem abobrices, lugares comuns e patacoadas e sabe-se sempre como começam e acabam as suas conversas- mas por isso mesmo tudo lhe serve para se imiscuir, meter colherada, para se armar em chefe, em mãe-de-todos (uma Rainha do Sabá raramente tem filhos ou netos e se tiver é porque casou com um banana; mas como os bananas graças a Deus não são assim tantos normalmente
 entretém-se a tentar dar ordens aos filhos dos outros) em conselheira, em dótora, em muito culta, muito erudita, mas sempre sassaricada, nervosinha, ansiosa e chata, chata, chata, com ocasionais explosões histéricas quando chega ao seu limite, que é curto. Até quando é amável é chata, cheia de peçonha e mel que soa logo a falso.

 Escusado será dizer que não existe nenhuma a quem não falte alguma coisa: seja uma presença masculina na sua vida, um bom par de açoites em pequena, auto estima ou educação.

 Mas às vezes uma Rainha do Sabá prova do próprio remédio - e foi por causa de ter assistido a um "remédio" destes que dei este nome a estas mulheres. Cá fica a história, ouvida em primeira mão:

 Havia uma mandona num certo prédio que fazia a vida num inferno a toda gente: implicava com as plantas, com os animais de estimação, com barulhos que só ela ouvia e por aí fora. E como nunca dormia, não trabalhava e era assim para o histericozito, não lhe escapava coisa nenhuma. Os vizinhos já andavam desesperados e com vontade de lhe dar uma tareia, o que decerto teriam feito se não fossem gente educada. 

Mas o marido da senhora, que era uma daqueles homens bonacheirões que passam por bananas até terem o saco cheio, antecipou-se. 

 Certa madrugada, quem estava no andar de baixo ouviu distintamente a megera a chorar e sons de "PAF, PAF" (de tapona, portanto) e trambolhões, e entre cada um a voz calmíssima do homem: *PAF!* Tratas mal as pessoas! *PAF!* Buáaaaaaaa* Pensas que és a Rainha do Sabá (ele pronunciava "SÁBÁ").

 Bom, eu cá não sou de defender violências, mas o certo é que foi limpinho e santo remédio por uns tempos...lá dizia o tio Maquiavel, o bem sempre que possível, o mal sempre que necessário.

1 comment:

Miguel Godinho said...
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