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Sunday, August 10, 2014

Quem ama o perigo...


...nele perecerá, diz o Bom Livro (Ecli 3, 27). Do ponto de vista estritamente espiritual isto relaciona-se com fugir das ocasiões de pecado, porque a ocasião faz o ladrão e nem sempre somos tão fortes nem tão firmes nas nossas convicções como julgamos.

Mas a máxima pode aplicar-se a uma miríade de outras coisas bem mais triviais ou mundanas: o excesso de confiança é o mal de muita gente. 
 Por vezes nem se trata de "amar" o perigo, de viver perigosamente no dia a dia, mas de ser tolerante com ele, de achar que nada é assim muito mau, de ter moral, comportamentos ou gostos demasiado flexíveis.

É o caso dos jovens que conduzem um dia em excesso de velocidade, noutro fazem umas acrobacias de mota, noutro, só por brincadeira, entram numas corridinhas ilegais na ponte, à socapa, porque querem ser uns gandas malucos e um dia não são dias. E às vezes há horas do diabo e esse dia que não são dias corre mal. Quem diz velocidades, diz qualquer comportamento de risco.

 Outro exemplo são as pessoas que, armadas em boas samaritanas, ou que por ingenuidade/curiosidade/carolice concedem ser vistas em más companhias. Não se trata de não ser cortês com toda a gente, mesmo com gente duvidosa (que é uma obrigação) ou de não tentar chamar ao bom caminho quem anda desnorteado (que é uma obra de caridade) e sim de alinhar pelos mesmos comportamentos, costumes e sítios.

As velhas desculpas "ela veste como uma stripper, mas não é má rapariga",  "ele anda metido nuns esquemas, mas não é mau rapaz", "eu cá não julgo", "sei muito bem comportar-me, lá por os outros se irem atirar a um poço não quer dizer que eu vá também" ou ainda "gente de mau porte diverte-me, só me dou com estas pessoas por troça e não saio beliscado disso" dão azo a que se apanhem certos maus hábitos e a que se estraguem ou comprometam muitas reputações. Lá dizia o outro, sujar a fama é fácil, limpá-la é que é pior...

 E o mesmo vale para coisas tão simples como a casa (não se arruma hoje, não se limpa amanhã e vai-se a ver, o sítio fica que parece um pardieiro) ou o estilo pessoal. Para ter um armário cheio de roupas de qualidade, não se pode cair na tentação de comprar um sapatinho de napa hoje, um topzito de lycra amanhã, uma tigresse com brilhinhos no dia a seguir. Como é fácil e é barato (pois o caminho que conduz ao inferno é sempre rapidinho e simplezinho) dali a nada tem-se o armário cheio de tralha estilo Deus me livre.

 Quem condescende com o disparate, em qualquer campo, vai perdendo a noção das distâncias, das conveniências, dos limites. Amolece. E em tudo convém ser rigoroso e vigilante. Sem fanatismos,mas mantendo presente aquela vetusta máxima do "poder fazer tudo eu até posso, mas nem tudo me convém"...

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