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Thursday, September 4, 2014

A imponência é uma bela qualidade.

Conde Claus Schenk Ggraf von Stauffenberg,
 Coronel alemão envolvido na revolta de 20 de Julho  (tal como o pai da modelo Verushka).

A imponência é talvez uma das mais importantes qualidades humanas...e tão desprezada nestes tempos de arrivismo, facilitismo e indisciplina.

 Na era dos Justin Biebers, dos Kardashians, dos esquemas para a riqueza e a fama fácil, do chico espertismo,da falsa igualdade, da tolerância fofinha a todos os pecados, não há grande apreço pela majestade, a grandeza, o porte, a nobreza de modos, a beleza patrícia. O laicismo desbragado é de rigueur, o serviço militar é quase uma ofensa, acarinha-se uma cultura de não ter pelo que lutar, de ausência de honra, de pulhice e malandrice.

 Senão, reparem num exemplo simples: qual é a postura desejada pelo adolescente comum hoje? A imagem que cultiva? Não será a do luminoso ideal grego, nem o orgulho belicista dos jovens romanos, o idealismo apaixonado do cavaleiro medieval, a arrogância elegante do dândi, o ar marcial da primeira metade do século XX...nem sequer, por Júpiter, a liberdade do hippie.

 Não. O que se quer é ter swag, o que quer que isso seja - um andar oscilante, de ombros curvados, uma atitude de rufia de esquina, de preguiçoso, de valdevinos.

 E as raparigas? Não quero repetir-me mas num mundo em que isto substituiu o ballet e toda uma escola de boas maneiras, tudo dito. Podia fazer-se aqui a alegoria da falta de palmatória mas não quero ser acusada de promover violências, que são um último recurso e não a maneira certa de ensinar alguma coisa.

 Já o disse aqui vezes sem conta, hoje tudo se desculpa ao lambe botas que "faz pela vida". A espinha dorsal não é uma qualidade apreciada e a imponência pode ser erradamente confundida com arrogância. Mesmo entre os actuais líderes políticos, quantos têm um porte majestoso? Muito poucos, numa época em que o poder e a arte da guerra nem sempre caminham juntos. E assim, substitui-se o líder que morreria por uma causa por um homem (ou mulher) habituado à feia arte de se safar.

 Pode subjugar-se a Fortuna no sentido maquiavélico do termo sem com isso adoptar a postura de um malandro desprezível, de um fraco, de um parlapatão.

   Mas sem respeito pela autoridade, sem causas nobres, sem finishing schools, sem colégios militares, sem sacrifício e com a MTV à cabeça (para os jovens) e ideais frouxos (para os adultos) o que nos resta é isto.

 Ora desculpem mas eu gosto de gente imponente, que não precisa de abrir a boca para impor respeito; gente com pulso; gente com porte, que coloca uma sala em sentido sem precisar de se esforçar para isso; pessoas que na aparência inspiram comedimento e que no terreno, separam o trigo do joio e têm muito pouca tolerância à cobardia, à graxa e ao mexerico.

  Na minha imaginação - porque esse ainda vai sendo território livre num tempo em que somos obrigados a tolerar tudo - uma mulher deve fazer por ter a graciosidade de uma fada e a dignidade de uma rainha, e um homem a majestade de um rei e o comando de um general. Era a isso que era suposto aspirar-se antigamente. Não que toda a gente conseguisse, óbvio, mas o modelo de comportamento era outro.
 Faz falta uma cruzada, já que estou a divagar. 

 E embora a imponência, como a honra, esteja fora de moda, é sempre reconhecida quando aparece. Pode não se saber porquê, mas faz efeito. O que é, é cada vez mais rara. Uma pena.

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