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Sunday, September 21, 2014

A nobre arte de...não construir a sua vida à volta de ninguém.




Well, I've been afraid of changing
 'Cause I've built my life around you...


Uma leitora sugeriu-me que abordasse um ângulo dos relacionamentos que, se estou bem recordada, não tinha sido visto por aqui: o das mulheres que constroem a sua vida à volta do marido/namorado e, quando as coisas se tornam feias, se vêem de repente isoladas.

Isto não é um exclusivo feminino – decerto haverá homens que se acham na mesma situação desagradável – mas nós mulheres somos por natureza mais propensas, em maior ou menor grau, a esse disparate. É um daqueles reflexos que ficam por genética e tradição e continuam a manifestar-se mesmo quando já não têm utilidade. E uma vez que é algo inconsciente, pode dar-se até com meninas/senhoras relativamente independentes, seguras de si e que não correspondam ao estereótipo da “rapariga carente”. 

Em boa verdade pode acontecer a qualquer uma, desde que tenha um pouco de tempo livre nas mãos – ou caia na asneira de estar demasiado disponível quando se apaixona.

 No entanto, quem é tímida ou tem uma forma mais tradicional de estar corre riscos maiores de cometer este erro (já lá vamos). Embora aqui se defenda em muitos textos o direito a uma postura e forma de estar tradicionalmente feminina, eis a excepção que confirma a regra.

É sempre mau depender de alguém, emocionalmente ou de outra forma qualquer. Bem diz o ditado “a vida de uma mulher é como a pasta, e um homem é a almôndega: torna a pasta melhor? Sem dúvida, mas pasta sem almôndegas continua a ser pasta”. É preciso ter sempre presente que aquela não é a última almôndega à face da terra, capice?

 Mesmo entre as mulheres mais modernas existe o impulso de criar conforto, de dar apoio, de arranjar o que está estragado (até quando não tem remédio) de brincar às casinhas, de ser útil e de agradar. Isto é tudo positivo, desde que bem direcionado, mas desastroso se levado ao exagero. E para cair nesse extremo, basta DISTRAIR-SE – porque ninguém abandona a sua vida de um dia para o outro. Vai acontecendo aos bocadinhos. Primeiro com o entusiasmo da paixão que leva tudo à frente, depois porque o hábito se instalou e mais tarde (quase sempre) para tentar segurar as pontas com o mais nefasto dos remédios.

 E a parte pior é que nenhum homem agradece isso.

Não é por mal que o fazem- eles são caçadores inatos e perdem o interesse se algo está demasiado disponível. Logo, a dependência não beneficia a mulher que constrói a sua vida à volta do parceiro, nem a cara metade (que deixa de ter um desafio) e muito menos a relação (que invariavelmente arrefece).

 Ora, há três situações que facilitam que este mal se instale:

1-      A primeira é a boa e velha insegurança, que dava um compêndio: quem está tão desesperada para ter um companheiro que faz TUDO para agradar devia antes de mais trabalhar a auto estima, porque não vai cair só nesta asneira mas em todas as outras e depois fica sozinha e chorona e infeliz e como é carente não consegue estar bem sozinha e o círculo vicioso continua ad nauseam.


Depois há as que se dão com pessoas relativamente equilibradas (ou seja, com a maioria!)

 2 - Se uma mulher é naturalmente introvertida, tem uma rotina tranquila, um círculo de amigos restrito e aprecia a estabilidade, torna-se mais fácil acomodar um companheiro na sua vida. Até aí tudo bem, desde que não deixe a sua individualidade de parte para atender aos horários/rotinas/exigências de Sua Excelência – o que tende a acontecer se o cavalheiro for absorvente e/ou possessivo. O problema? Muitas confundem possessividade ou sufoco com atenção e quando dão por si cancelaram o ginásio, largaram as amizades, deixaram projectos importantes de parte, viraram-se do avesso e são uma maquineta que se desdobra em função do outro.


3        -Outro caso que convida a essa distracção - e que continua a acontecer em certos meios- é o das mulheres que estão ao lado de um homem poderoso, Alfa, com um cargo relevante ou certo protagonismo e uma personalidade dominadora. Mesmo as que mantêm a sua carreira e a sua vidinha podem cair na tentação confortável de deixá-lo guiar a dança, ficando num papel discreto de apoio. Até aí tudo perfeito; nada de mal na tradição, desde que o cavalheiro retribua a dedicação e a disponibilidade emocional não seja ilimitada. Nenhuma relação tem equilíbrio se não houver respeito, fronteiras bem delineadas e aquilo que podemos chamar áreas intocáveis: se por causa do outro se deixa de dar a devida atenção às pessoas queridas e aos objectivos individuais, há algo de errado.

A consequência nos três casos é que quando a relação esfria ou desaparece, quem construiu a sua vida à volta da cara metade fica sem nada, porque tudo o que tinha – amigos, vida social, preocupações, anseios, rotinas e até objectivos profissionais – estava de algum modo ligado à outra pessoa. Além da ruptura, que é sempre dolorosa, não existe qualquer estrutura de apoio.

O melhor remédio contra este mal é a prevenção; não deixar que relação alguma invada as áreas intocáveis citadas atrás e não se virar do avesso por ninguém. A quem já se encontra nesse dilema, há que, pouco a pouco, reclamar a sua existência (e poder) de volta. Quem não tem vida própria, não se pode doar a outrem.

Uma mulher ocupada é sempre muito mais interessante – tanto para a cara metade, como para futuros (eventuais) pretendentes – e nunca corre o risco de deixar que a desrespeitem. Afinal, ela tem mais que fazer.





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