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Wednesday, September 10, 2014

A Princesa perfeita que a Tsarina não quis ouvir.


A princesa Zinaida Yusupova (1861-1939) era uma daquelas mortais verdadeiramente abençoadas  e que rendia as devidas graças à Fortuna sendo um modelo de todas as virtudes.
 Bem se diz "a quem muito for dado, muito será exigido"...e a Princesa estava consciente disso. 

Não só era bem nascida, fabulosamente rica e linda - elegante, de brilhantes cabelos negros, um rosto precioso e faiscantes olhos azuis - como primava por uma simplicidade, cultura, bondade, gentileza e espírito que encantavam quem a conhecia. 

  Última representante de uma das mais poderosas famílias do Império Russo, de fortuna muito superior à dos Romanov (e portanto herdeira de um património incalculável, que a tornou numa das mulheres mais ricas do mundo) o seu pai, o Príncipe Nikolai, sonhava - com justiça, assinale-se -  ver a única filha sentada num trono. De toda a Europa choveram pedidos à sua mão, de pretendentes tão elegíveis como o Príncipe herdeiro da Bulgária....mas Zinaida escolheu casar por amor.


O seu coração voltou-se para o Conde Felix Sumarokov-Eston, simples oficial da Guarda Imperial Russa. 

O pai terá lamentado "esta minha filha não tem ambição alguma!" mas também nisso a Princesa teve sorte: vinha de uma família amorosa e boa, que pôs a cumplicidade paternal à frente das vaidades mundanas.

Residência da Princesa em S. Petersburgo

 A educação de Zinaida fora, aliás, cheia de carinho: desde muito nova, a mãe, que se esmerara em incutir-lhe a melhor instrução e modos, confiada no seu saber estar, delegava nela algumas tarefas de responsabilidade. Certa vez, precisando de receber um embaixador num dos seus palácios, pediu à pequena Zinaida que entretivesse o convidado até que ela estivesse pronta para descer à sala.

 A princesinha assim fez: ofereceu-lhe comida, bebida, cigarros...debalde. O velho diplomata, muito cioso da sua posição e crente na boa e velha ideia "uma criança só deve falar se se dirigirem a ela" não se dignou a responder-lhe. Vendo-se sem recursos, Zinaida perguntou então "talvez precise de ir à casa de banho?".


 Já casada e muito feliz, a Princesa tornou-se famosa pela arte de bem receber: dava recepções memoráveis, em que ela própria cantava e dançava tão bem que os grandes mestres russos diziam que o seu lugar era no palco. Mas apesar de todo o esplendor que a rodeava, Zinaida era de uma elegância despretensiosa e mostrava o maior desdém pela ostentação. Era senhora das mais fabulosas jóias, mas só as usava em ocasiões especiais.

 Naturalmente, todos a adoravam - mesmo o Tsar, de quem era muito amiga. Tão amiga, de facto, que a sua natureza sincera e desinteressada acabou por se virar contra ela.

 A Tsarina, frágil e influenciável, sensível à bajulação, não gostou dos avisos da Princesa Zinaida. Ela bem via os desgovernos que se passavam na corte, e que só podiam ter mau fim; a influência nefasta do místico Rasputine não lhe parecia bem, e afirmou-o abertamente.

Como todas as pessoas ingénuas que só permitem que lhes digam o que é agradável ouvir, mesmo que seja um grande disparate, a Tsarina - acicatada por más línguas invejosas - cortou relações com Zinaida.

Não se sabe como a boa Princesa reagiu à desfeita, mas a verdade é que o seu filho mais novo, o Príncipe Felix, participou no assassinato de Rasputine.

A Princesa com o marido e os filhos.

Tarde demais, porém. Quando o Tsar e a família já se encontravam em cativeiro, a princesa Zinaida recebeu dele a seguinte mensagem "quando virem a Princesa Yusopov, digam-lhe que agora eu vejo como ela estava certa; se lhe tivesse dado ouvidos, muitas desgraças teriam sido evitadas".

 Após a revolução a princesa rumaria a Roma e mais tarde a Paris, como tantos seus compatriotas, onde morreu com 78 anos de idade.


*Post inspirado num artigo deste blog muito recomendável. 

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