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Monday, September 15, 2014

Anna Pavlova dixit: 10% de inspiração...



"Deus dá o talento, mas é o trabalho que transforma o talento em gênio."


Ainda a propósito de bailarinas, lembrei-me desta frase da grande estrela da Belle Époque  - que aparece na giríssima série Mr. Selfridge, de que falarei um dia destes, interpretada por uma actriz tão parecida que até faz confusão, vide:



 Vindo dela, podemos acreditar que a máxima é verdadeira. Além de trabalhar imenso como qualquer dançarina clássica (começou aos dez anos; antes disso não a deixaram ingressar na Escola Imperial de Ballet por ser demasiado baixinha) teve um começo difícil. Filha de mãe solteira e sem grandes recursos, precisou de demonstrar todo o seu carisma e talento para se impor numa época em que a figura estilizada que hoje associamos às bailarinas não era propriamente a norma. Aos dezoito anos estava formada e sete anos depois era Prima Ballerina do Ballet Imperial Russo. Seguiu-se uma grande carreira, em que fascinou os públicos mais exigentes.
  E o que ela dizia é bem verdade: quem é naturalmente dotado pela natureza ou pelo acaso, pode cair na tentação de depender disso e não se empenhar tanto como devia. 

 Afinal, consegue sem grande canseira o mesmo que outras pessoas se matam para alcançar. Mas às vezes isso não basta. Corre-se o risco de ficar pelo meio termo.

Conheci algumas pessoas pouco inteligentes que desesperavam os professores, mas que acabavam por ser recompensadas nas notas por serem tão trabalhadoras. 
  Mentes assim raramente deslumbram - mas quando dotes promissores se juntam a uma vontade feroz, ambição saudável e muita disciplina, é raro a Fortuna não dar uma mãozinha.

 Veja-se o caso do nosso compatriota Cristiano Ronaldo: não morro de amores pelo estilo do menino, mas quem pode negar que seguiu a sua paixão, que foi onde era necessário para a realizar e continua a espantar quem priva com ele pelo trabalho constante, quase obsessivo, a que se dedica para ser o melhor? Ele dizia desde pequenino que ia ter um Ferrari, mas praticava com a bola dia e noite; o Ferrari era só uma inspiração. Hoje pode mesmo dar-se ao luxo de ignorar quem não gosta dele, porque não descansa nos louros e sabe melhor que ninguém quanto trabalhinho há por trás de cada sucesso.

 O mesmo vale para as modelos de passerelle: qualquer profissional do ramo (editor de moda, booker, por aí fora) sabe que não basta ser alta, bonitinha, expressiva, ter as medidas certas e possuir uma característica única que por acaso esteja em voga no momento. Há muitas raparigas lindíssimas que ficam para trás, que não têm o stamina psicológico para lidar com a profissão nem a capacidade de trabalho que o meio exige. As que se tornaram famosas são pacientes, obedientes, fazem ouvidos moucos ao cansaço, à pressão o e à insegurança. E mesmo essas, passam por muitas transformações físicas: entre os humanos, não basta ser crisálida para sair borboleta

Quem gosta muito de cantar mas não é louco pelo palco, é melhor fazer disso um hobbie; quem adora futebol mas tem medo do fracasso e das lesões pode tornar-se um excelente cronista de desporto, se souber escrever. Quase toda a gente é capaz de ser competente numa coisa ou mais, mas para ser excelente numa só é necessário um sacerdócio...

  É preciso muito quem corre por gosto não cansa, muita surdez às críticas inerentes a cada ofício/ambiente/área e às invejas próprias da competição, muito amor à camisola (leia-se, ao sacrifício) uma visão de túnel para o objectivo ignorando as coisas assustadoras que estão no caminho e trabalho, trabalho, trabalho. Mesmo Leonardo Da Vinci deixou muita obra inacabada e com todo o seu o seu assombroso talento, não se tornou propriamente milionário, enquanto outros menos dotados se estabeleceram: a facilidade com que as ideias brotavam, já perfeitas, impelia-o a procurar outros projectos, o que associado à natureza incerta da sua profissão não facilitava. Daí dizer-se "o mundo e dos medíocres"...porque quem é menos brilhante precisa de se estafar o triplo para chegar a algum lado.

 Só quando muito trabalho e muito talento se juntam, a Humanidade é recompensada com um génio - um génio compreendido e aplaudido, coisa rara!








1 comment:

Sandra Marques de Paiva said...

Ando a seguir o Mr.Selfridges, que aprendizagem :)

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