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Friday, September 5, 2014

Das mulheres- gato...e das mulheres outro-bicho-qualquer.


Existem as mulheres gato, e as mulheres...bem, outra coisa. É um pouco feio chamar mulher cão (ou mulher galinha, Credo) a alguém, por isso fico-me pelas mulheres gato e as que não são mulheres gato.

 E que vem a ser uma mulher gato (para além da super heroína do Batman que fora a fardamenta sexy eu nunca percebi muito bem que poderes tinha)?

 Uma mulher gato é a que tem, nos relacionamentos e na vida, um comportamento felino.  Pode até não gostar de gatos mas se não gosta devia, porque se parece muito com eles. Mas para explicar a analogia tenho de me afirmar como uma "cat person" (alguém que adora gatos) e explicar porquê.

   O meu fraquinho por bichanos começa pelo motivo muito simples de todos os gatos serem lindos. Há uns mais lindos que outros, certo, mas enquanto há raças de cães bonitas e//ou nobres e outras nem tanto, entre os gatos não há tantas diferenças de aparência - nem de comportamento. Um gato é um gato, cada um tem a sua personalidade
 mas sabe-se sempre mais ou menos o que esperar dali.

  Depois, o gato é sempre nobre. Pode estar na sarjeta mas jamais perde a altivez e a dignidade. Pode estar a morrer de medo mas defende-se, faz barulho, causa um estardalhaço desgraçado e às vezes consegue afugentar um adversário bem maior que ele. Isto acontece assim que aprendem a andar. 



Um gato nunca suplica (embora seja um perfeito palerma, um coração de manteiga, uma vez ganha a sua confiança). Pode até estar morto por mimos mas fazer que não é nada com ele. Um cão tenta conquistar-nos, mas é preciso conquistar um gato. A maior parte dos cães são um pouco vai-com-todos, pouco selectivos, gostam de toda a gente; um gato não.

 Sabe sempre, imediatamente, as pessoas com quem quer interagir...e às vezes, essas até são pessoas que pensam que não gostam de gatos. Ele trata de lhes provar que estão enganadas e que nunca precisaram tanto de nada como precisam de um gato - tudo isto sem descer do seu pedestal. Depois caem sempre de pé, estão sempre impecáveis, nunca perdem a pose elegante e perfeita. E  as sete vidas? Como não gostar de um bicho que tem sete vidas?

 São animais extraordinários e ao contrário do que muita gente pensa, extremamente fiéis: simplesmente, a sua lealdade é uma escolha, não é oferecida automaticamente ao primeiro pateta que se intitula seu dono. Um gato não espera que gostem dele - pergunta-se antes "gostarei eu deste caramelo?". E se o dono lhe fizer mal, ele não abana a cauda nem tenta pedir desculpas por cima como os cães: ressente-se, e com razão. Um gato exige respeito.

 Assim são as mulheres gato: não tentam conquistar nem fazem por agradar. Limitam-se a ser a sua adorável pessoa - bonitas, elegantes, meigas - e ficam no seu canto a observar, a analisar se aquela pessoa que as tenta cativar é alguém que convenha, que lhes agrade e mereça confiança. Se finalmente confiam esperam que seja a sério - mas caso se enganem, afastam-se com toda a dignidade que conseguem reunir. Tentam conhecer as pessoas aos poucos, impõem respeito e não toleram menos; jamais põem o carro à frente dos bois. Uma mulher gato nunca implora, nunca facilita, nunca se faz convidada e nunca pede batatinhas (a não ser que tenha feito o equivalente humano a escangalhar todo o conteúdo da cristaleira na tentativa de apanhar uma mosca). É preciso muito para obter o seu afecto, mas vale a pena, porque o seu amor é uma eleição difícil: mulheres gato podem só atacar em caso de fúria extrema, mas não gostam de toda a gente. Por isso, podem ter uma reputação complicada, tal como os gatos: dignidade e frieza às vezes confundem-se.  Afinal, há muito mais pessoas cão do que pessoas gato.

        É quase desnecessário fazer aqui a comparação com as mulheres de fidelidade canina, creio: essas são as mulheres da luta que fazem TUDO para cativar, para forçar laços. Se não as convidam, elas adiantam-se; se as tratam mal, elas redobram os carinhos e as acrobacias ou pedem desculpa por cima; se as ignoram, fazem tudo para chamar a atenção; não têm literalmente uma cauda mas se tivessem, agitavam-na sem sombra de vergonha. Acham que impondo a sua presença chegam a algum lado, porque  das duas uma: ou são tão inseguras que migalhas lhes bastam, ou precisam de assentar  desesperadamente por qualquer razão. Mas nada disso quer dizer que não mordam - salvo seja - ou que sejam de facto mais fiéis. São menos exigentes e mais trapalhonas, só isso...

 Trata-se de feitios e de ter arcabouço para lidar com isso. Em boa verdade, é muito mais fácil abusar de uma pessoa cão; é preciso ser mesmo especial para amar pessoas gato.



3 comments:

Sérgio S said...

Dessas coisas das pessoas animais não percebo muito: só sei que sou leão/dragão de signos.

A Bomboca Mais Gostosa said...

Sou claramente uma mulher gato ;)

Sandra Marques de Paiva said...

Este texto é muito interessante.....

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