…tem muito que se lhe diga.
Por um lado, ao recusar uma oportunidade a quem errou,
podemos estar a cair numa crueldade injusta ou a desperdiçar um relacionamento,
amizade ou parceria profissional importante.
Regra geral não acredito que seja sensato desistir de alguém ao primeiro
mal entendido, principalmente se a pessoa tentar esclarecer tudo ou – caso tenha
cometido realmente um erro – fizer por se redimir e reparar o agravo.
Por outro, bem diz o povo “quem faz uma, faz um cento”.
Tenho uma amiga que jura pela divisa “não darás segunda oportunidade”. Se lhe
cheira a esturro numa nova amizade ou se alguém próximo a desilude/magoa/ofende,
essa pessoa é banida sem apelo nem agravo.
Radical? Talvez, mas por vezes é sensato arrancar uma erva
daninha antes que se espalhe. Há danos que são muito difíceis de limpar e que
se evitariam se prestássemos atenção aos sinais – porque sinais existem sempre.
Quem não é certo revela-se logo de início, em coisas
pequenas (atitudes que não fazem sentido, pequenas mentiras, pequenas
desconsiderações, estórias que não encaixam…) e outras não tão pequenas como
isso mas que desprezamos porque temos mais que fazer, porque se calhar estamos
a exagerar, para não sermos
desagradáveis, porque ainda não conhecemos bem a pessoa em causa e não nos
achamos com direito a indignar-nos ou a fazer demasiadas perguntas…ou ainda
porque já a conhecemos muito bem mas gostamos dela e achamos que não é grave,
que é uma fase, que vai passar.
A estranheza e o desconforto são os melhores conselheiros: se algo não
nos cai bem, sentemo-nos e analisemos antes que seja tarde.
Quando algo nasce
torto é raro endireitar-se. Já comentei por aqui que é um erro ser surdo às
primeiras impressões, ou perdoar infinitamente as mesmas asneiras.
Está certo que ao cortar o mal pela raiz há a possibilidade
de deitar a perder coisas maravilhosas, mas ninguém pode garantir que não nos
estejamos a livrar de muitos trabalhos.
Se num test drive um
carro falha, sacode, parece pouco seguro, será que insistimos em comprá-lo só
porque gostámos do modelo e até cabe no orçamento? E na compra de uma casa – se
não parece de confiança, não ficaremos de pé atrás?
Talvez não devamos
ser mais tolerantes emocionalmente do que somos quando se trata de negócios…
