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Monday, September 22, 2014

Isso de dar segundas chances…



…tem muito que se lhe diga.

Por um lado, ao recusar uma oportunidade a quem errou, podemos estar a cair numa crueldade injusta ou a desperdiçar um relacionamento, amizade ou parceria profissional importante.  Regra geral não acredito que seja sensato desistir de alguém ao primeiro mal entendido, principalmente se a pessoa tentar esclarecer tudo ou – caso tenha cometido realmente um erro – fizer por se redimir e reparar o agravo.

Por outro, bem diz o povo “quem faz uma, faz um cento”. Tenho uma amiga que jura pela divisa “não darás segunda oportunidade”. Se lhe cheira a esturro numa nova amizade ou se alguém próximo a desilude/magoa/ofende, essa pessoa é banida sem apelo nem agravo.

Radical? Talvez, mas por vezes é sensato arrancar uma erva daninha antes que se espalhe. Há danos que são muito difíceis de limpar e que se evitariam se prestássemos atenção aos sinais – porque sinais existem sempre.

Quem não é certo revela-se logo de início, em coisas pequenas (atitudes que não fazem sentido, pequenas mentiras, pequenas desconsiderações, estórias que não encaixam…) e outras não tão pequenas como isso mas que desprezamos porque temos mais que fazer, porque se calhar estamos a exagerar,  para não sermos desagradáveis, porque ainda não conhecemos bem a pessoa em causa e não nos achamos com direito a indignar-nos ou a fazer demasiadas perguntas…ou ainda porque já a conhecemos muito bem mas gostamos dela e achamos que não é grave, que é uma fase, que vai passar.
 A estranheza e o desconforto são os melhores conselheiros: se algo não nos cai bem, sentemo-nos e analisemos antes que seja tarde.

   Quando algo nasce torto é raro endireitar-se. Já comentei por aqui que é um erro ser surdo às primeiras impressões, ou perdoar infinitamente as mesmas asneiras.
Está certo que ao cortar o mal pela raiz há a possibilidade de deitar a perder coisas maravilhosas, mas ninguém pode garantir que não nos estejamos a livrar de muitos trabalhos.
 Se num test drive um carro falha, sacode, parece pouco seguro, será que insistimos em comprá-lo só porque gostámos do modelo e até cabe no orçamento? E na compra de uma casa – se não parece de confiança, não ficaremos de pé atrás?


 Talvez não devamos ser mais tolerantes emocionalmente do que somos quando se trata de negócios…

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