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Monday, September 29, 2014

Mensagem de um perfume: o amor é mais que um jogo.




Na minha adolescência surgiram vários perfumes (e aromas mais baratinhos, como os desodorizantes O2 e Baunilha da Impulse) para adolescentes. E ter um perfume próprio, que nenhuma mulher lá de casa usasse, era assim uma forma de afirmação, de iniciação, de entrada no mundo feminino. O Oui-Non da Kookai era o meu preferido (ainda é, quando tenho a sorte de deitar a mão a um frasco!) mas havia outros, como o Red Jeans da Versace (uma versão um bocadinho mais floral do Light Blue de Dolce & Gabanna) ou...o Lovin´Geisha.


Para ser franca já nem me lembro de que marca era - tratava-se de uma colecção de uns oito perfumes, todos com temas diferentes, que se vendiam nas pequenas perfumarias e não eram assim muito caros, comparados com as outras marcas que usava. 

Mas o Lovin´Geisha captou a minha curiosidade, primeiro pelo tema: sempre tive um fascínio por gueixas, pelos anos que dedicavam a estudar a arte de ser encantadora, pela sua misteriosa feminilidade, pela celebridade que as acompanhava apesar de ninguém saber muito sobre elas, pelos tons ricos dos seus trajes e pelo seu mundo fechado. Depois, o aroma era realmente intrigante, um oriental fresco, delicado, com algo de lótus pelo meio;
 sentia-se e dava vontade de o perceber melhor. Sempre preferi os perfumes que têm muitas nuances, como o carácter ancestral das mulheres.
  Mas o que me cativou realmente no perfume foi o pequeno slogan que o acompanhava, pois cada um tinha uma catching phrase: dos outros não me lembro, mas o do Lovin´Geisha era 

"Love is more than a game; it´s a ceremony".

Nunca me esqueceu a frase e cada vez mais acredito que foi realmente bem escrita. É claro que o amor, até o mais sincero dos amores, é um jogo com dinâmica própria, um xadrez emocional. Nenhum casal, por mais que o negue, é imune às cartadas de poder, de supremacia, de domínio e de rendição. Tudo isso faz parte e homens e mulheres têm movimentos próprios para a conquista do adversário.

 Mas por vezes, pode ser muito mais complicado do que isso. Acredito sim que o amor seja uma cerimónia, e com um protocolo muito específico que não convém quebrar. 
 Uma mulher que esteja apaixonada (e seja tradicionalmente feminina) põe em cada encontro com a pessoa amada o mesmo ritual que uma gueixa que se prepara para entreter uma plateia com as suas danças. Não usará a pesada maquilhagem branca e um vestido tão cheio de truques como um kimono, mas o empenho é semelhante. Uma mulher inteligente jamais demonstrará esse esforço, mas se não se o faz não está verdadeiramente enamorada.
  Um homem apaixonado fica tão ansioso para ver o objecto da sua afeição como um homem poderoso que perdia a fala ante uma gueixa famosa - porque elas eram assim uma espécie de superstars. E não é só isso: todo um relacionamento é cheio de passos específicos, de rituais, de hábitos mecânicos que fazem com que funcione (ou não). E de dramas, como as danças japonesas em que quase sempre há um final muio feliz ou de faca e alguidar, conforme.

 Dança, xadrez, jogo, cerimónia, podemos chamar-lhe o que quisermos. Tenho saudades de perfumes assim, com filosofia.











1 comment:

Tânia Argent said...

Epah o que adorava o Oui Non!
bjs

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