A ideia de felicidade, amor ou requinte pode variar para cada um, mas é inegável que o luxo deixa de o ser quando se massifica e que se o amor não for exclusivo é uma complicação, por mais que haja cabecinhas muito liberais e muito modernas a pregar o contrário.
Podia jurar que numa relação "aberta" há sempre um elemento do "casal" que aceita essa solução com o coração apertadinho, num acto de desespero para não ficar sem nada; e quem disser que ter uma carteira contrafeita Marc Jacobs, como as trinta que já vi esta semana aqui pelas minhas bandas, é um luxo...está no mínimo equivocado.
O amor e o luxo têm esse pequeno quê: ou tudo, ou nada.
É mais luxuoso usar um bom vestido sem jóia alguma do que cobrir-se de bijuteria. É preferível ter um bom saco de cabedal a uma cópia barata de uma marca famosa. E se falarmos de duas peças igualmente boas e caras, tem muito mais impacto usar um modelo clássico e intemporal (herdado, de preferência) à última it bag que todo o povo comprou e que por estar na berra causa uma onda de cópias de má qualidade.
Da mesma forma, nunca percebi quem acha graça às pessoas muito populares, muito pretendidas, muito namoradeiras e que dão confiança a toda a gente; parece-me muito estranho quem se sente motivado (a) pela competição num aspecto que devia ser tão privado e quem se deixa contagiar pelo wishful thinking "eu sou melhor do que a (o)s outra(o)s, eu é que o (a) vou obrigar a assentar!".
Não vale a pena invejar ou desejar aquilo que é cobiçado em demasia , até porque se anda na mão de toda a gente, dificilmente cairá bem a quem faz por ter alguma personalidade. Ir com o rebanho, com os modismos e as conveniências contraria tudo o que o luxo, o amor, o bom gosto e a independência representam.
Bem vistas as coisas, se um sofá de veludo está overcrowded, uma abóbora é capaz de parecer mais confortável. E com mais privacidade. Luxuosa e exclusiva, portanto.
