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Friday, September 19, 2014

Nunca me enganaste, John Lennon


Há dias avisava eu cuidado com os homens feministas, sem sonhar que o  homem feminista mor, o na-cama-pela-paz John Lennon fazia mesmo justiça à frase. 

Cruzei-me com a informação esta semana por acaso, tão pouco se fala nisso.

Já aqui disse que nunca embarquei na letra radical-fofinha da canção- porta-estandarte-da-paz-com-imagens-sinistras-pelo-meio, Imagine.

Tanta paz e amor era demasiada querideza para ser verdade. A ideia utópica e ultra socialista de ninguém possuir coisa nenhuma já era terrível, mas vinda de alguém que vivia em grande estilo em Nova Iorque nem sequer era honesta. O mesmo, exactamente, se pode dizer da sua postura feminista e subserviente a Yoko Ono. A abstenção radical soa sempre a mecanismo de defesa e compensação, no caso, sei muito bem que tenho tendência a zurzir mulheres, por isso vou tornar-me super passivo e arranjar uma generala que mande em mim.

Desculpo-lhe porque em contrapartida escreveu coisas geniais -entre elas Jealous Guy, uma das minhas canções preferidas (embora prefira a versão de Brian Ferry). 

E é precisamente essa que dá uma pista para o passado de John Lennon. "I,´m sorry that I made you cry..." é capaz de ser mais literal do que parece: o próprio Lennon admitiu que quando era mais jovem, dava tareia em mulheres. O hippie, o pacifista, o feminista, cometia violência doméstica.  Se não teve tempo de se redimir como deve ser (porque a morte se atravessou no caminho) teve tempo de reconhecer em entrevista que tinha sido muito mau rapaz. 

Claro que com a morte veio a imortalidade e aí já não convinha a ninguém desfazer na imagem fofinha do músico. É do conhecimento público, mas um facto pouco falado.

Agora já percebi. Era naturalíssimo que tentasse super compensar com uma imagem de paz e amor exagerada. Nunca me cheirou bem. Se há coisa que detecto à distância é pantominice e aldrabice. 
 Isto não retira nada à boa intenção de não voltar a agredir quem é mais pequeno do que ele. 

É pena que não tenha encontrado um meio termo, porque um homem não tem de se transformar num paspalho para fazer a sua obrigação de ser decente com as mulheres. Há umas coisinhas que se chamam auto domínio e cavalheirismo, que permitem que um homem se afirme e imponha respeito sem chegar a isso. Para espancar a cara metade é preciso ser um cobarde de primeira, e se calhar a primeira solução que ocorre a alguém assim é o outro extremo da cobardia: transformar-se em tapete. E daí, que uns safanões moderados à maluca da Yoko para ver se ela se acalmava...até eu lhos dava de boa vontade, mas tudo se quer com peso e medida.

 Seja como for lá se entenderam e a Yoko Ono também deixou uma canção de que gosto bastante, Kiss me. Antes beijos que estaladas, vá.








1 comment:

Inês Sousa said...

Não sei porquê mas nunca fui à bola com John Lennon. De todos os elementos dos Beatles nunca simpatizei particularmente com ele. Imagino-o um peneirento armado em santinho e bonzinho. E à mulher também. O quase misticismo à volta da figura dele sempre me fez confusão. Confesso que quando li o post da Sissi acerca da música Imagine pensei: até que enfim que alguém diz a verdade acerca deste choradinho. E no final a verdade é ainda mais sombria: ele era um agressor.

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