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Friday, September 26, 2014

As coisas que eu ouço: "putos" estúpidos.



 Estar fora da cidade uns dias e voltar em plena fase de acolhimento aos estudantes na Lusa Atenas é uma experiência e tanto. Não é que em Lisboa ou no Porto uma azáfama semelhante não aconteça nesta altura do ano, mas aqui- quer pela tradição, quer por ser um meio mais pequeno - o impacto na vida do resto da população é bem maior.

Entre os que vêm do meio de nenhures com comportamentos menos dignos (que poucas faculdades se apressam a combater, diga-se) e os que são de cá e deviam dar o exemplo mas está bem abelha, vêem-se por vezes cenas pouco abonatórias.

 Hoje sentei-me a tomar um café depois da minha jornada no sítio do costume e eis que - como precisava de ligar o carregador do telemóvel - me calhou a fava de me sentar na mesa ao lado de uns rapazolas que, de computador ligado na única tomada disponível e ar "isto é tudo meu",  nunca mais desamparavam a loja.

  Os nossos heróis eram caloiros, não daqueles bolseiros de trás do sol posto com ar de quem nunca viu nada e chega aqui e abusa que temos de aturar todos os anos, mas um género que conheço de gingeira: meninos bem, nados e criados cá que nas costas dos pais adoptam uma linguagem que Deus nos livre.

 Não que fossem parvos nenhuns, salvo seja: falavam alto o suficiente para eu perceber que até eram moços interessados em religião e política, com alguma consciência dos seus deveres, e quando lhes pedi se não se importavam que o empregado ligasse a extensão para que eu pudesse usar a ficha foram do mais educado que se pode.

 Mas em grupo...Virgem Santa! Poucas vezes ouvi tanto palavrão. Não houve uma frase que não começasse por "ó puto, isto c***o!", ou "ó puto aquilo, f****-se!" e isto a grande velocidade, ao longo de uma hora inteira. Lancei-lhes uma data de olhares fulminantes a ver se se tocavam, que havia senhoras e crianças na sala...pois sim!

 É certo que boys will be boys e que quando se juntam fazem fanfarronadas, mas 
perdeu-se a noção do que é apropriado. Pior ainda, muitas meninas dizem outro tanto e não só não se chocam com esta linguagem como acham que ficam muito cool  e muito modernas a gritá-la para quem quer ouvir.

  Dá vontade de se ser mauzinho e dizer-lhes "se soubessem as cabeçadas que vão dar antes dos vinte e cinco anos não estavam para aí tão contentes, seus paspalhos". Cambada de malcriadões, que até dá vontade de morar noutro sítio.

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