Sunday, October 5, 2014
Bonitinho, mas ordinário. Qual ordinário, qual quê: perigoso.
Já aqui se discutiram várias vezes as pessoas feias "double face" ou seja, seres humanos que são feios de dar nas vistas por fora e feios de meter medo por dentro, mauzinhos como as cobras. Isto não é uma regra; é das coisas mais relativas que pode haver mas como tenho conhecido alguns desses tenho certas dúvidas em subscrever a máxima "quem vê caras, não vê corações". A julgar por experiência própria acredito mesmo, até certo ponto, em algumas teorias obsoletas segundo as quais determinados traços faciais denunciam o carácter. Nas mulheres então é uma coisa por demais, talvez porque a falta de auto estima e de atenção por parte do sexo oposto pode descambar em desespero e falta de ética. Claro que pode ser também uma questão de ciclo vicioso: quem é feio por dentro passa a vida a retorcer-se de maldade e isso acaba por se reflectir por fora. A pele fica esverdeada de bílis, as feições endurecem, o olhar torna-se estúpido e vicioso e não há carisma que valha nem encanto que sobreviva.
Porém, há casos em que realmente quem vê caras não vê corações, ou até vê o coração mas a maldadezinha que se pressente passa por ar de mistério, por charme dark, ou qualquer uma dessas coisas perigosas que são atraentes nos protagonistas dos romances. Um exemplo extremo é o serial killer (que lá há-de estar a pagar as que fez no caldeirão de Pêro Botelho) Richard Ramirez, um verdadeiro Príncipe das Trevas. Literalmente: era um ávido seguidor da Church of Satan, por isso creio que passar a eternidade nos infernos não o incomode lá muito.
Richard é assim um estereótipo de aviso para uma pessoa não se fiar na boniteza, e muito menos em morenos misteriosos de ar perdido. Afinal, Lúcifer era o Anjo mais bonito de todos, não era? Tão bonito e tão perfeito que entendeu que mais lhe valia reinar no Inferno que servir no Céu. O resto vocês sabem.
O Ricardinho teve uma infância complicada, com exemplos totalmente disfuncionais na família, o que lhe afectou o juízo. Depois - em vez de tentar a sorte como modelo ou actor - começou a fazer asneiras, a faltar às aulas e a vagabundear (o costume, portanto) juntando à combinação explosiva todas as substâncias intoxicantes que apanhava a jeito.
Durante cerca de dois anos (foi apanhado por uma multidão furiosa em 1985) o "Perseguidor Nocturno", como ficou conhecido, espalhou o terror na Califórnia, matando pelo menos 13 pessoas e torturando mais de 25. Ainda hoje o serial killer fascina os criminologistas, por não ter um modus operandi nem vitimologia especifica: tudo lhe servia desde que estivesse à mão, numa casa vulnerável durante a noite. Igualmente perturbadora era a sua atitude de desprezo, de zombaria mesmo, perante o tribunal. A pena de morte não o assustava nem um bocadinho: ao ser condenado, disse com um sorrizinho malvado "vemo-nos na Disneylândia".
Claro que (por mecanismos de maluqueira feminina que os cientistas nunca explicarão) ganhou uma legião de fãs, acabando por casar com uma delas na cadeia. O ar de rock star e o palminho de cara desculpavam tudo e faziam o mulherio acreditar (ou fingir que acreditava) que um homem tão lindo não poderia ter cometido crimes tão horrorosos. Pobre inocentinho, não se estava mesmo a ver?
Nada de estranho, pois ainda há dias, numa época em que há muito mais informação, aconteceu a mesma coisa com o mugshot de um criminoso bonitinho que se tornou viral.
As mulheres são muito patetas quando querem.
Por isso, lá está: só as pessoas superficiais não julgam pelas aparências, mas é preciso não ter juízo nenhum para orientar todo o julgamento pelo exterior. No meio é que está a virtude. Felizmente Richard Ramirez não nascem por aí nas árvores, mas não faltam bad boys que fazem muitos estragos e a quem se desculpa o indesculpável...
4 comments:
- A Bomboca Mais Gostosa said...
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Concordo contigo, a meu ver, salvo raras excepções, as pessoas más têm sempre traços deselegantes que as denunciam, um olhar esquisito, não sei... Normalmente há ali qualquer coisa que não bate certo!
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06 October, 2014 09:45
- Inês Sousa said...
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Bem para ser franca mesmo antes de ler o texto e de só ter visto o rosto do moço meteu-me mais medo do que me encantou tem uma expressão demasiasdo sinistra. Claro que daí a imagina-lo um serial killer é outro tanto. Mas consigo imaginar perfeitamente uma quantidade de raparigas caidinhas por ele.
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06 October, 2014 10:57
- Imperatriz Sissi said...
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@Bomboca, na nossa sociedade não cai bem julgar pelas aparências, mas la que las hay...
@Inês, tem um ar comum em muitas estrelas de rock e assim, mas se o visse na rua dificilmente o imaginava a fazer tais tropelias. Algo "off" talvez, mas não demasiado para alarmar à primeira vista. -
06 October, 2014 14:20
- Sandra Marques de Paiva said...
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Também concordo e nas mulheres acho ainda mais "escancarado". Eu por exemplo, conheço uma mulher que é bonita e é má e eu percebi logo isso nos lábios dela. Pode parecer estúpido, mas os lábios dela têm qualquer coisa de "disfuncional" e que com a convivência vim a ver que estava certa no meu julgamento. Mas de facto, esse serial killer tem uma beleza que me agrada imenso :)
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06 October, 2014 14:24





