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Monday, October 20, 2014

Dame Angelina Jolie: valores em tempo de crise dos ditos.


Nas últimas semanas tem-se falado bastante em Angelina Jolie, que recebeu de Sua Majestade a Rainha Isabel II a honra de Dama honorária.

 A beleza e graciosidade da actriz ao aceitar a Grande Cruz da Ordem de S.Miguel e S. Jorge (usou um tailleur Ralph &Russo e sapatos Ferragamo) lembraram-me outras duas grandes estrelas/senhoras incontornáveis pelo seu estilo e trabalho humanitário: Audrey Hepburn e Grace Kelly.

   Sinto sempre algumas dúvidas quando vejo uma celebridade ter uma voz demasiado interventiva em questões sociais ou políticas, mas acho Ms Jolie (ou Mrs. Pitt? Já não sei) inspiradora por três motivos.

Primeiro, o facto de viver realmente aquilo que prega (três crianças adoptivas é testemunho que chegue). Segundo, a serenidade e a forma impecável como se apresenta sempre, que lhe conferem credibilidade: não a vemos a ter discursos inflamados nem a sofrer de síndroma Brigitte Bardot (ou seja, tornar-se hippie só porque está envolvida em causas sérias). Possui um raro sentido de adequação às situações, vestindo com simplicidade para os cenários difíceis que visita, mas sempre imaculada: ela sabe que é a sua imagem que vai chamar a atenção para os problemas que quer mostrar ao mundo e que qualquer desleixo podia ser confundido com "remorsos de celebridade". E terceiro, o notável equilíbrio com que gere uma carreira, uma família, um casamento e o seu trabalho junto das Nações Unidas: é que por muita ajuda e meios que tenha, não pode ser fácil.



Numa entrevista publicada esta semana por uma revista portuguesa, a actriz/realizadora falou da sua amizade com o herói da II Guerra e atleta olímpico Louis Zamperini, cuja vida inspirou o seu último filme, Unbroken. O veterano (que começou por ser um arruaceiro antes de se tornar atleta e de se alistar) ficou muito próximo de Angelina, que conseguiu mostrar-lhe a película antes da sua morte aos 97 anos (visionar um filme com a história da sua vida num leito de hospital dá uma nova e arrepiante dimensão ao termo "ver a vida a andar para trás", mas é bonito mesmo assim).
 Unbroken só vai estrear no dia de Natal, mas concordo quando a realizadora diz que este é "um bom filme  para ser visto por rapazes de 14 e 15 anos". E pelos rapazes mais velhos também, aposto. A maioria dos jovens deste tempo não tem a mínima ideia do que significava ser jovem naquele tempo. Valores como o sacrifício, o respeito pelos idosos, a fé e o heroísmo deixaram de estar na moda e é bom que alguém fale nisso.

 Na era dos Justin Biebers, dos Kardashians e das Casas dos Segredos, alguém que use a malfadada fama para transmitir exemplos de bondade, solidariedade e elegância merece quantas medalhas há.



2 comments:

Margarida said...

Para mim a Angelina Jolie é espectacular como humanitária e filantrópica, agora como actriz que foi aquilo que a lançou é fraquinhaaaa...

Imperatriz Sissi said...

Para mim desde que um actor soe natural está tudo bem, não sou muito exigente na matéria. Ela nunca foi uma actriz versátil no registo, mas além da beleza sempre lhe achei uma grande intensidade e "dedo"para escolher papéis obscuros. Gostei muito dela em Alexander, Gia e original Ssin. Depois nem tanto...

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