Retirado daqui.
Sempre acreditei que não vale a pena consumir-se por coisa alguma; o amor, como tudo na vida, é igual à nossa sombra: quanto mais se tenta persegui-la, mais ela foge, e só quando lhe voltamos as costas é que ela nos segue.
Isto é verdade para qualquer objectivo ou projecto: quanto mais uma pessoa se aflige, pior é o resultado. Depois de se terem feitos todos os possíveis mais vale relaxar e deixar que os acontecimentos sigam o seu rumo.
O que nunca me tinha ocorrido era associar isso, de mais a mais no aspecto amoroso, a uma coisa tão pouco romântica como meias ou peúgos. Metade da laranja, testo da panela, alma gémea, minha metade, isso já tinha ouvido; meias, não. Se bem que faz sentido - uma meia perdida quando se tem pressa para sair de casa pode ser muito irritante. Then again, é preciso ser-se bastante desarrumado (a) e/ou ter uma senhora da limpeza muito preguiçosa para não ter as peúgas juntas: o amor e outras coisas já não são assim tão simples nem dependem tanto da disciplina de cada um.
Mas por essa ordem de ideias será legítimo dizer à cara metade, em instantes de arrebatamento, "meu ideal, levei a vida toda para te encontrar, meu peuguinho perdido, minha meiinha desemparelhada".
Antes peúgo do que "môr", vá.
