O lendário criador- e se há alguém que pode falar com autoridade é o cavalheiro que vestiu Audrey Hepburn, Grace Kelly e Jackie Kennedy - disse no passado dia 20 à agência EFE em Madrid: "a moda tornou-se vulgar (...) [a moda] devia evoluir lentamente e sem qualquer revolução. Só assim um vestido pode ser amado e durar".
Segundo Hubert de Givenchy, o Conde-que-se-fez-couturier e alterou a face da Alta Costura ao concentrar-se em street wear elegante para as mulheres que mudavam de roupa "três vezes por dia" (bons tempos!), o ritmo das colecções devia abrandar.
" [Elsa Schiaparelli] tinha gosto e não era vulgar; mesmo usando um vestido com uma lagosta pintada, era chic e as roupas eram usáveis. Isso não acontece agora" exemplificou.
Numa semana em que a indústria da Moda viu partir Oscar de la Renta (outro discípulo de Balenciaga) estas palavras têm um impacto ainda maior.
Na época da fast fashion, quando cada vez mais o street wear dita o que se passa nas passerelles em vez do contrário, em que figuras como Rihanna são consideradas (de forma algo irresponsável, diga-se) ícones de estilo e "celebridades" como Kim Kardashian têm honras nas primeiras filas dos desfiles ou nas páginas das revistas mais selectivas (a despeito dos constantes protestos dos leitores nas redes sociais) e em que o conceito de "luxo" está algo pervertido, importa reflectir nas palavras de quem sabe.
Estar atento ao pulsar da sociedade, a irreverência, a liberdade criativa, tudo isso é positivo, mas se à conta de valores secundários se perde o essencial- a arte, o rigor, a estrutura, a tradição e em última análise, o posicionamento das maisons mais relevantes - cada vez mais veremos vestidos sem forma nas lojas e faux pas nas ruas.
O exemplo deve vir de cima para contagiar quem realmente importa: o consumidor final. E se quem dita os padrões a que se deve aspirar baixar a fasquia, está tudo perdido.


