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Thursday, October 16, 2014

Nunca compreenderei as party girls.


Uma conhecida minha, prestes a casar e ter filhos, confidenciou noutro dia sentir falta das emoções, da liberdade, de sair à noite, das alegres incertezas... em suma, dos tempos de liceu e faculdade.
 Fiquei cá a pensar nisso, por um lado com certa pena dela por não a ver mais entusiasmada com esta nova aventura, por outro a considerar que - embora "assentar" não signifique deixar de ter vida social -  há um tempo para tudo na vida e que quem não se adapta está a correr atrás não sabe de que ilusão. 

  Há pessoas assim, que embora estejam bem continuam a olhar para o lado na ânsia de não sei quê que às tantas é melhor.
  Uma coisa é não deixar de sonhar, outra é a maturidade que as circunstâncias exigem e que se não se ganha, é uma constante fonte de frustração.

Eu que nunca fui uma party girl - cumpria as minhas obrigações profissionais e sociais, que começaram cedo e me faziam estar em alguns eventos, o que por sua vez fez com que nunca sentisse a ânsia de "mundo" e "liberdade" normal nessas idades - nunca percebi as raparigas que o eram. Acompanhava as minhas amigas a alguns sítios da moda e como toda a gente tenho um punhado de boas memórias, mas...as boas memórias são das raras noites que foram realmente divertidas. 

Sejamos muito honestos - isso de sair à noite é, 50% das vezes, fazer um esforço tremendo para se divertir e outras tantas, uma pessoa fingir que se diverte. Basta fazer um resumo daquilo que é "ir para a night", pelo menos aqui para as minhas bandas:

- Faz-se tempo num café ou bar qualquer até às duas da manhã, que é quando as pistas abrem, à moda de Ibiza (que tem tudo a ver com o friozinho que às vezes faz por cá e com o facto de não se estar exactamente de férias). Bebem-se cafés para ter andamento e não cabecear de sono. Quando chega a hora de ir para a dita bailação, os pés já estão massacrados de andar de um lado para o outro na calçada portuguesa com os saltos de sair.

- Chega-se ao clube ou discoteca e corre-se para o primeiro sofá disponível. Poupam-se os pés para as músicas preferidas, porque as outras não valem o sacrifício.

- Ainda bem que se conversou tudo o que se tinha a conversar nas duas horas extenuantes no bar anterior, porque a música está tão alta que ninguém percebe patavina.

- Não sei ao certo como as coisas estão agora - entretanto abriram imensos sítios com música dos anos 80 e coisas dessas, cantigas com princípio, meio e fim, que permitem dizer "não quero dançar esta, danço na próxima" - mas há uns anitos a música house era de rigueur em praticamente toda a partequem não apreciava ou fingia apreciar era parolo. O pior é que por cada hit engraçado, eram três músicas chatas de doer- por isso era ver todo o mundo, 80% do tempo,a abanar-se sem vontade nenhuma. E isto horas. Loucura!

- Vai-se beber qualquer coisa  porque ninguém aguenta tanta maçada completamente sóbrio. Esperam-se tempos esquecidos no bar. Ai os pés!

- As raparigas desafiam-se umas às outras para ir à casinha retocar a maquilhagem e descansar os ouvidos. Depois é a bela coreografia de evitar as poças de água no chão, do "empresta-me um dodot", e do "segura-me a carteira, segura-me a porta"(nunca percebi como é que as melhores discotecas se esqueciam tantas vezes de chamar o canalizador, o serralheiro para manter os trincos e os cabides e a senhora da limpeza para colocar o papel no seu lugar).

- Ao fim de umas longas horas disto tudo volta-se para casa em modo moído, com o sol a raiar (não é difícil, se as pistas nunca abrem a horas de gente) com o orvalho a empastar tudo misturado com um pivete a fumo na roupa e "ena, viva a liberdade".


 Sinceramente, não sei se é coisa para deixar assim tantas saudades...talvez isso de ser party girl seja genético. Ou a explicação para a minha indiferença é que algumas pessoas façam coisas realmente transcendentais que me escapam quando saem à noite, para sentirem tanto a falta.





3 comments:

Margarida said...

Já lá vai o tempo em que saia por obrigação! E hoje em dia prefiro sair para um bar calcinha com uma boa música ambiente e estar uma noite toda á conversa do que para uma discoteca ou bar onde a música está aos berros e chego ao final da noite rouca! Claro que de vez em quando também me apetece produzir-me e sair para dançar...mas tem de ser para um sítio onde eu consigo decifrar as palavras da música que passe, para música sem letra e "bater de tachos" não é música, essas modernices do House/Trance etc...são um pavor!

Margarida said...

Já lá vai o tempo em que saia por obrigação! E hoje em dia prefiro sair para um bar calcinha com uma boa música ambiente e estar uma noite toda á conversa do que para uma discoteca ou bar onde a música está aos berros e chego ao final da noite rouca! Claro que de vez em quando também me apetece produzir-me e sair para dançar...mas tem de ser para um sítio onde eu consigo decifrar as palavras da música que passe, para música sem letra e "bater de tachos" não é música, essas modernices do House/Trance etc...são um pavor!

Imperatriz Sissi said...

A rouquidão é um ponto que me escapou, e bem verdadeiro! "Bater tachos" - assino por baixo!

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